segunda-feira, 7 de abril de 2014

Agora





Por Edson Vidigal

O hoje não é mais que o agora e, por isso mesmo, o melhor a fazer é seguir contando o tempo sempre na regressiva. Como se o amanhã pelo qual tanto se batalhou não fosse este agora.

O amanhã só conhece um calendário, o da esperança. Está sempre por vir. Ver o dia amanhecendo, se espraiando em luzes, inventando cores, enseja festejos. Mas nem sempre é o amanhã.

O que amanhece por aí, depois de toda noite, com uma madrugada no meio, é apenas o dia, não mais que um dia.

Um dia apenas, amanhecendo. Mas para quem sabe o valor de um único dia, a irreversibilidade de cada um dos seus minutos, as punhaladas dos ponteiros dos relógios a cada hora, um dia apenas, amiga, amigo, até que pode render o bastante.

Em um dia apenas é possível acender ternuras que por muitos anos andaram esmorecidas, afirmar com um poema a certeza do amor, despertar com uma canção a alegria nos tristes, revigorar com uma prece a força da fé.

Mas um dia passa depressa. Para quem costuma ser devagar, para quem gosta de vagar, devagarinho, um dia se gasta como num piscar. Para um Povo inteiro, num Estado enorme em tudo, não basta um dia.

Para quem se ataranta por aí, meio como vagalume de noite quente no brejal, luzindo e apagando, luzindo e apagando, um ano é nada. Em um ano não se faz nada. Ou quase nada.

No ano seguinte, no ano seguinte, no ano seguinte, também a mesma coisa. Ou quase a mesma coisa. Parecem nada saber sobre a fugacidade do hoje, a transitoriedade do agora.

Para eles o amanhã que chegou é esse hoje de agora, essa coisa de tudo para nós ao mesmo tempo, numa mãozada só.

Nada não, balbucia um sabido ao lado. Mais que eles, os do agora, temos nós a capacidade de sonhar. Conversa, rapaz.

Sonhar, sonhar, sonhar. E acordar para viver o sonho, quando? Ah é um processo histórico, é o determinismo histórico, materialismo dialético.

Já faz tempo que nem se fala mais nisso.Então, quer dizer que gerações, uma após outra, vão ter que sofrer na luta e sonhar, sonhar?

Num dia, como ainda há pouco, o inimigo se enfraquece e cai, mas não morre. E esse dia ainda não desperta o amanhã em seus começos e avanços? Só inspira o agora em seus consumos?

Parece que na chegada, ao amanhecer, alguém deixou cair a esperança pregada na bandeira que carregava. Talvez, por isso, o amanhã não aconteça.

Dos restos do ontem ficou o agora. Esse mesmo agora que flui e seca rápido como a gota de colírio, que faz efeito rápido, clarifica a visão, mas logo tudo passa como se não tivesse acontecido nada. Abre o olho,
amigo.

O amanhã não cabe num dia, não espera pela noite, não se contenta em folia, nem com adiamentos.

O amanhã é ótimo, o amanhã sabe sustentar esperanças e mais que esperanças o amanhã sabe inspirar aquelas promessas de mais gostamos, as que nos acenam sempre com as novas alegrias.

Então, amiga, amigo, nada de viver agora sem confiar no amanhã como se só o agora existisse. Ainda há tempo hoje para se começar agora mesmo o amanhã que sonhamos.



EDSON CARVALHO VIDIGAL é do Beco do Urubu, em Caxias, onde a vida nem lhe deu tempo para infância porque nascido na pobreza e na exclusão social teve que trabalhar menino ainda para ajudar no sustento da casa.

Nas ruas, vendeu pão, picolé, água do rio em ancoreta em lombo de jumento, foi balconista de mercearia e cantou em programa de calouros para ganhar os prêmios, vendê-los e levar o dinheiro pra casa.

Em São Luis onde chegou rapazola querendo ganhar um futuro trabalhou como jornaleiro e garçom de botequim. Nunca largou os livros e aos 15 anos ganhou emprego de repórter policial mirim do Jornal Pequeno.

Líder estudantil, Presidente do Grêmio do Ateneu, Vice - Presidente da UMES, Vereador de Oposição em Caxias, eleito aos 18 anos, foi cassado e preso no golpe militar, em abril de 1964.

Respondeu a dois processos por suas opiniões políticas, mas um “habeas corpus” do Superior Tribunal Militar revogou-lhe a prisão preventiva, o que não impediu a perseguição que sofreu por muitos anos.

Como Jornalista trabalhou no Diário da Manhã, sob a direção de Bernardo Almeida; no Jornal do Povo, de Neiva Moreira, no Jornal do Dia, de Alberto Aboud e direção de Walbert Pinheiro e no Estado do Maranhão, que ajudou a montar na fundação com Bandeira Tribuzi.

Trabalhou ainda em grandes redações nacionais como VEJA, O GLOBO e JORNAL DO BRASIL. Criou o primeiro curso de formação de jovens jornalistas no Maranhão. O atual curso de Comunicação da UFMA teve como embrião o Curso da USP, que Edson Vidigal ajudou a trazer, em campus avançado, para São Luis.

Foi instrutor de cursos sobre organização sindical e diretor fundador da primeira Cooperativa Habitacional dos Operários do Maranhão, a COHAMA – hoje um dos bairros mais populosos de classe media na Capital do Estado.

Iniciou os estudos de Direito na Universidade Federal do Maranhão concluindo o curso na Universidade de Brasília, onde foi Professor por mais de 20 anos.

Deputado Federal (1979/83) trabalhou em defesa dos direitos autorais, do inventor nacional, da anistia aos perseguidos politicos, da volta dos exilados ao País, das eleições diretas, da aposentadoria para o trabalhador rural, a favor de melhores salários e menor tempo para aposentadoria dos professores.

Sob a sua presidência na Comissão de Ciência e Tecnologia surgiu o embrião da atual urna eletrônica, idéia que ele apoiou obsessivamente. Trabalhou ainda contra reserva de mercado na informática, que isolava o Brasil sobre o que se fazia em computadores no resto do mundo.

Fissurado em educação, viabilizou dezenas de milhares de bolsas para estudantes de nível médio que não podiam pagar seus estudos.

Fundou com Tancredo Neves o Partido Popular tendo sido seu primeiro Presidente no Maranhão. Na incorporação do PP ao PMDB foi Vice - Presidente de Renato Archer na direção regional do Maranhão e Delegado nacional no TSE com Paulo Brossard e Josaphá Marinho.

Como advogado atuou no Supremo Tribunal Federal e Tribunais superiores até ser indicado pelo Presidente da Republica à sabatina e aprovação do Senado para Ministro do Tribunal Federal de Recursos, o qual foi extinto pela Assembléia Nacional Constituinte.

Com a criação do STJ – Superior Tribunal de Justiça pela Constituinte, passou a integrar por ordem constitucional a composição originária.

Foi Presidente do STJ e do Conselho da Justiça Federal, quando iniciou o programa de interiorização da Justiça Federal, do Ministério Publico Federal e da Policia Federal, inclusive no Maranhão. Sua presidência foi a que mais instalou Varas da Justiça Federal.

Esteve em dezenas de países das Américas e da Europa, sempre como convidado, fazendo palestras sobre a justiça no Brasil ou discutindo temas da economia global no interesse do judiciário.

Publicou cinco livros e milhares de artigos na imprensa nacional sobre temas diversos do conhecimento humano. Membro da Academia Maranhense de Letras, da Academia de Letras de Brasília e da Academia Caxiense de Letras. Cidadão Honorário dos Estados do Piauí e da Paraíba e de dezenas de Cidades maranhenses. Possui dezenas de condecorações oficiais.

Jornalista independente, Advogado em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, Professor de Direito na Universidade Federal do Maranhão, VIDIGAL foi candidato nas eleições de 2010 a Senador da República pela coligação "O Povo é Maior" (PSDB-PDT-PTC) com Jackson Lago para Governador e José Serra para Presidente, tendo obtido mais de meio de milhão de votos, dos quais mais de 120 mil em São Luis, a capítal do Estado.

É casado com Eurídice Nóbrega Vidigal.
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