quinta-feira, 3 de julho de 2014

A LEI DO RETORNO - Adolfo Paraiso


Diz o ditado: aqui se faz, aqui se paga.
A história que vou contar é um exemplo da máxima acima.


 Adolfo Paraiso
Não pretendo fazer qualquer análise metafísica, religiosa ou psicológica sobre o tema. Apenas narrar os fatos e deixar a conclusão para vocês.

Ano de 1977, ainda no 4 ano de medicina, estava a dirigir o meu fusca azul novinho em folha, pela orla da Ponta D' Areia, à altura do - onde hoje está localizado - edifício Number One.

Nessa época, os bares e residências eram escassos. Ainda existia muita vegetação à beira da pista e, exatamente do meio desse matagal, surgiu uma moto pilotada por um rapaz de nome - que vim a saber depois - Celestino (nome fictício), que colidiu com o meu fusquinha.

Fiquei uma fera ao ver o para-lama dianteiro do meu amado fusca todo amassado.

Celestino se recusou a ressarcir os danos e teve inicio uma breve discussão. O diálogo não teve sucesso e pior, em curto espaço de tempo, me vi cercado por uns 15 motoqueiros que, por razões óbvias, apoiavam Celestino.

Diante dessa situação adversa, com o respaldo dos meus 10 anos de judô e 6 de karatê, resolvi blefar - se vocês não saírem daqui agora, vou bater em todo mundo.

Por sorte, meu amigo João Rachid que estava em uma das motos, me deu um sábio conselho - Adolfo deixa isso prá lá. Tu podes até bater neles, mas eles vão se vingar. Onde encontrarem teu carro, vão riscar, amassar...

Dessa forma, eu que não era doido, de pronto aceitei o conselho de João, embora triste pelo estado em que ficou o meu fusca.

Anos depois, concretiza-se a lei do retorno.

Agora já médico e cirurgião geral, estava de plantão no Hospital Presidente Dutra, quando dois residentes vieram me pedir autorização para operar um amigo deles de fimose*. Concedi o pedido e ao entrar na sala de cirurgia, já com o paciente anestesiado com uma raque**, me deparo com - nada mais nada menos - o meu velho e conhecido destruidor de para-lamas de fusca - Celestino!

Imaginem a situação de Celestino ao me reconhecer. Ele anestesiado, sem poder se mexer - já preparado para a cirurgia - e eu com o bisturi e pinças nas mãos.

Após aterrorizá-lo por alguns segundos, que para ele deve ter sido uma eternidade, tranquilizei-o e a cirurgia foi realizada sem problemas.

Conclusão: eu e Celestino nos tornamos amigos a partir daquela data e, das vezes em que nos encontramos, sempre relembramos esses episódios com muito humor.

Será que essa lei é verdadeira ou depende daquilo que cultivamos dentro de nós?

* excesso de pele do prepúcio (pele que recobre a glande)

** anestesia na coluna que deixa os membros inferiores imóveis.

Adolfo Paraiso
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