domingo, 26 de abril de 2015

Consumo de drogas e de álcool, prevenção já - Ruy Palhano





Ruy Palhano
Prevenir é antecipar-se, é evitar que um fato ou algo aconteça, é impedir um dano maior. As medidas preventivas devem ser aplicadas prioritariamente sempre que estivermos diante de uma situação, doença ou qualquer outro fenômeno, que possa gerar danos, problemas ou outros malefícios, á segurança, bem estar ou á saúde das pessoas ou da comunidade. 

Quando se cria ou se propõe medidas preventivas, em qualquer área, é porque já se sabe ou já temos conhecimentos suficientes sobre a natureza e as consequências nefastas sobre o que queremos prevenir ou evitar. Esse é o escopo da prevenção.

Aplicado à saúde, deve se constituir como uma grande ferramenta para evitar danos em todos os sentidos: físico, psíquico e emocional. Não é só isso, todos os estudos demonstram claramente que os custos em prevenção são sempre menores, comparativamente aos custos com tratamento e assistência. Os gastos com prevenção são significativamente menores que tratar um usuário ou de um dependente de drogas. Hoje se sabe que um real aplicado á prevenção, se economiza dez reais, e assim por diante. Portanto, as políticas de prevenção deveriam ser prioritárias nessa área do uso de álcool e drogas. 

Quando se relaciona prevenção ao uso de drogas e do álcool, a Secretaria Nacional de Politicas sobre Drogas – SENAD, diz: “a efetiva prevenção é fruto do comprometimento, da cooperação e da parceria entre os diferentes segmentos da sociedade brasileira e dos órgãos governamentais, federal, estadual e municipal, fundamentada na filosofia da “Responsabilidade Compartilhada”, com a construção de redes sociais que visem a melhoria das condições de vida e promoção geral da saúde”.

Diz, ainda: “a execução desta política, no campo da prevenção deve ser descentralizada nos municípios, com o apoio dos Conselhos Estaduais de Políticas sobre Drogas e da sociedade civil organizada, adequada às peculiaridades locais e priorizando as comunidades mais vulneráveis, identificadas por um diagnóstico”. “E prossegue: para tanto, os municípios devem ser incentivados a instituir, fortalecer e divulgar o seu Conselho Municipal sobre Drogas”. E, encerra dizendo, “as ações preventivas devem ser pautadas em princípios éticos e pluralidade cultural, orientando-se para a promoção de valores voltados à saúde física e mental, individual e coletiva, ao bem-estar, à integração socioeconômica e a valorização das relações familiares, considerando seus diferentes modelos.

As ações preventivas devem ser planejadas e direcionadas ao desenvolvimento humano, o incentivo à educação para a vida saudável, acesso aos bens culturais, incluindo a prática de esportes, cultura, lazer, a socialização do conhecimento sobre drogas, com embasamento científico, o fomento do protagonismo juvenil, da participação da família, da escola e da sociedade na multiplicação dessas ações”.

Vendo isso, todos aplaudem reconhecem um grande valor em tais afirmações e todos concordam de fato que as coisas deveriam funcionar a partir desse paradigma, mas eu pergunto: o que de fato está sendo efetivamente feito na consecução dessas propostas, de forma consistente e duradoura? Porque, que tudo que é feito, segundo anuncia o governo, nessa área não resulta em benéficos efetivos a população? Se você anda pelos rincões brasileiros e mesmo nas grandes cidades, o que não se vê são medidas ou ações efetivas utilizadas para se enfrentar esses problemas das drogas.

As autoridades municipais, incluindo aí prefeitos, secretários de saúde e os órgãos de segurança, na absoluta maioria dos municípios de país, atônicos, paralisados e sem saberem nem por onde começar a fazer alguma coisa alguma, nesse sentido. Uns, desviam até o assunto e demonstram claramente sua aversão sobre o tema ou saem pela tangente, ao serem instados a falar sobre isso. As leis em vigor que visam o controle social sobre o consumo de álcool são descumpridas e mal fiscalizadas pelos órgãos de direito. A família, onde deveria minimamente iniciar um processo preventivo, sobretudo quanto a educação dos filhos, quanto á questão do uso dessas substâncias, está literalmente despreparada para fazê-lo, e em geral, não tem nem onde buscar ajuda quando são afetadas pelo problema. 

A sociedade em geral, pior ainda, pois não sabem o que fazer nem por onde começar, a adotar medidas efetivas diante da situação. As escolas, literalmente despreparadas, desprotegidas e desinformadas sobre o assunto, portanto não desenvolvem medidas consistentes para enfrentarem o problema. Nas comunidades, a coisa é bem pior, as medidas são tímidas e voláteis, e assim por diante. 

Eu pergunto: Onde estão as medidas preventivas do governo nessa área? Como se poderia explicar esse descaso total, ante as medidas que não são aplicadas para se reduzir o consumo de álcool e de outras drogas? Porque não há prioridade em politicas públicas sobre o assunto, já que todos se queixam, reclamam e se dizem horrorizados com tantos problemas nessa área? Onde estão sendo aplicada, a montanha de dinheiro, destinados ao enfrentamento, especificamente do crack, em nosso país? Porque não se restringir de forma radical a propaganda de bebidas alcoólicas, no território nacional, como se fez com o cigarro? Onde está a politica de capacitação de RH ou de estratégias de enfrentamento desses problemas, em nossos municípios? Fracasso total, eis a grande questão. Incompetência, negligência, descaso e descompromisso com a população, isso sim e muito propaganda.

Não iremos resolver coisa alguma nessa área se não dermos prioridade em políticas públicas de prevenção, para se enfrentar esse problema. E, não é só dá prioridade. As medidas devem ser abrangentes, profundas, inteligentes, intearticuladas, sistematizadas e hierarquizadas e aplicadas e bloco. Não se vai enfrentar o problema do consumo de álcool e de outras drogas com ações tímidas e isoladas, breves e desarticuladas. As medidas terão que ser abrangentes duradouras e longas no tempo.

O enfrentamento passa obrigatoriamente pela educação, pela saúde, pelo social, pela segurança e pela economia de uma nação ou mesmo de um município. Chega de enganação e de propaganda e vamos partir para se enfrentar esse problema de frente e de forma competente com vista a se proteger as pessoas e a sociedade desse problema número 1 dos últimos tempos.


PSIQUIATRA Ruy Palhano Silva
MÉDICO NEUROPSIQUIATRA, PROFESSOR DE PSIQUIATRIA DO CURSO DE MEDICINA DA (UFMA),
MESTRE EM CIÊNCIAS DA SAÚDE (UFMA),
ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA PELA (UNIFESP),
EX - PRESIDENTE DA ACADEMIA MARANHENSE DE MEDICINA.
RUY.PALHANO@TERRA.COM.BR

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