quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

REDE e CMI denunciam violento ataque de madeireiros contra Indígenas Ka´apor do Maranhão


Imagem: Mário Vilela/Funai - 
















As instituições criticam duramente a morosidade do governo do Estado e a conivência do prefeito de Zé Doca, Alberto Carvalho Gomes, e da Policia Militar.

O ataque de madeireiros contra indígenas Ka’ Apor nas regiões sudoeste e oeste do território Alto Turiaçu no estado do Maranhão, denunciado recentemente neste blogue: Zé Doca: madeireiros atacam guardas ambientais Ka’apor na Terra Indígena Alto Turiaçu recebeu muitas criticas de pessoas que contestavam a versão apresentada por este jornalista.
Pois bem, nesta quarta-feira (23), a Comissão Executiva Nacional da Rede Sustentabilidade e o Conselho Indigenista Missionário no Maranhão divulgaram nota não só confirmando o violento ataque contra os Indígenas Ka´apor no Maranhão, como também criticando os órgãos de imprensa aliados dos madeireiros por divulgarem uma versão distorcida dos fatos, denunciando a omissão do prefeito de Doca e da Polícia Militar, além da estranha morosidade do governo do Estado e dos órgãos que deveriam atuar na proteção dos indígenas. Este jornalista transcreve abaixo as duas notas, ao mesmo tempo em que reafirma sua solidáriedade à luta dos Ka’ Apor em defesa do seu território.

REDE alerta para ataque de madeireiros contra indígenas Ka’ Apor no Maranhão

A Rede Sustentabilidade vem a público lamentar e também alertar com extrema preocupação sobre um ataque sofrido pelos indígenas Ka’ Apor, praticado por madeireiros nas regiões sudoeste e oeste do território Alto Turiaçu, localizado no estado do Maranhão. Desde o último domingo, 20 de dezembro, esse conflito armado instaurou um verdadeiro clima de tensão, em razão da disputa de terras. Desde então, dois índios foram baleados e outros quatro ainda estão desaparecidos.

O triste cenário começou a ser montado a partir de sábado, 18 de dezembro, quando 26 indígenas Ka’ Apor passaram a realizar o controle do incêndio nesse território, devido à conclusão do trabalho do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais) do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), após dez dias na região. Na manhã de domingo, porém, o grupo se deparou com madeireiros que extraíam madeira ilegalmente em um dos ramais que havia sido fechado pelos indígenas para evitar extração da madeira.

Além disso, os indígenas descobriram que os madeireiros haviam construído uma ponte sobre o Rio Turi para facilitar o acesso à extração ilegal. Desta forma, eles apreenderam sete pessoas para entregar ao Ibama e atearam fogo em um caminhão e duas motocicletas usadas nessa irregularidade. Um dos detidos, no entanto, escapou e avisou os outros madeireiros que estavam no povoado de Nova Conquista, município de Zé Doca (MA).

A partir de então, instalou-se um clima de atrocidades e de terror contra os indígenas. Mais de 20 madeireiros fortemente armados invadiram o território dos Ka’ Apor. E, de acordo com relato dos índios, os invasores mandaram todos seguirem para frente das armas. Com isso, atiraram pelas costas e depois correram para o mato. Tamanha covardia resultou nos dois baleados e nos quatro desaparecidos.

Para piorar ainda mais a situação, os invasores fecharam, ainda no domingo, a entrada da aldeia e, na segunda-feira, 21 de dezembro, invadiram novamente o local e agrediram os homens da aldeia como também expulsaram as mulheres e as crianças, Os indígenas denunciam que dentro do território se encontram dois caminhões e dois tratores trazidos pelos madeireiros.

No entendimento da REDE, a condição instalada no território indígena causa ainda mais revolta porque os policiais estiveram na região acompanhados do prefeito do município de Zé Doca, Alberto Carvalho Gomes, mas nada fizeram para acalmar a situação. As autoridades ouviram apenas os não indígenas presentes na aldeia e retornaram para a cidade. No dia seguinte, a perseguição aos indígenas e os aliados da causa aumentou na cidade.

O problema se agravou ainda mais porque os órgãos de imprensa aliados dos madeireiros divulgaram uma versão distorcida dos fatos, como se os índios tivessem causado o conflito. Na verdade, a aldeia está sob o ataque de perigosos bandidos. Por outro lado, os apoiadores dos indígenas na região foram ameaçados de morte e correm o risco de se tornarem mais uma vítima desses foras da lei, como ocorreu com a liderança indígena Eusébio Ka’ Apor, assassinado por madeireiros em abril desse ano. Até o momento, esse crime não foi solucionado e segue impune.

Para a REDE, o fato que também causa muita preocupação é a lentidão do governo do estado do Maranhão e dos órgãos que deveriam atuar na proteção e apoio dos indígenas em relação ao clima de conflito instalado há algum tempo na região e tem se intensificado desde que os Ka’ Apor iniciaram a retomada de seu território. A partir daí, aumentou a perseguição contra os indígenas e apoiadores. Caso as autoridades competentes tivessem agido com mais rigor, certamente o embate não teria atingido essas proporções.

Fora isso, os Ka’ Apor denunciam ainda que os madeireiros se apropriaram dos equipamentos de trabalho de mapeamento dos focos de incêndio e estão identificando as pessoas e fazendo sérias ameaças. E foi somente após recorrer ao Ministério Público que os indígenas receberam a informação de que a Polícia Federal se deslocaram para a região.

A REDE entende que muitos municípios existentes no entorno do território Ka’ Apor vivem exclusivamente da exploração de madeira, o que torna a atividade essencial para região. No entanto, essas cidades não podem sustentar o seu principal pilar econômico por meio da extração ilegal, como tem acontecido e prejudicado a comunidade indígena existente. Ainda na avaliação da REDE, é preciso que as os órgãos competentes atuem com mais ênfase como forma de apaziguar esse verdadeiro clima de terror instalado no local e punir rigorosamente e de forma exemplar os responsáveis pelos crimes homicídio e tentativa de homicídio, cometidos contra os indígenas no local.


23 de dezembro de 2015

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Nota do Conselho Indigenista Missionário - MA

Indígenas Ka´apor do Maranhão estão sob violento ataque de madeireiros

Até o momento dois Ka´apor foram baleados 04 estão desaparecidos

Desde o dia 18 de dezembro, vinte e seis indígenas Ka´apor, realizam o controle do incêndio na região sudoeste e oeste do território Alto Turiaçu no Maranhão, por conta da finalização do trabalho do Prevfogo do Ibama, após 10 dias na regiao. No domingo (20), pela manhã, os indígenas depararam-se com madeireiros em um dos ramais que tinha sido fechado pelos indígenas. 

Para continuarem com a retirada ilegal da madeira, os madeireiros construíram uma ponte sobre o rio Turi. Os indígenas então, atearam fogo em um caminhão, em duas motocicletas e apreenderam sete não indígenas para entregar para o Ibama. Um deles, escapou e avisou outros madeireiros no povoado Nova Conquista, municipio de Zé Doca.

A partir daí, o que se seguiu, foi um cenário de terror. Mais de 20 madeireiros armados, entraram no território dos Ka´apor. O conflito foi estabelecido. Na ocasião, segundo indigenas, os madeireiros mandaram eles saírem do mato e seguirem na frente de suas armas. Os madeireiros então, atiraram nas costas dos indigenas que correram para o mato.

Até o momento, 02 Ka´apor foram baleados e outros 04 estão desaparecidos. Os não indígenas, fecharam no domingo a entrada da aldeia, e ontem invadiram novamente, agredindo homens, expulsando mulheres e crianças. Os indígenas denunciam que ainda encontram-se dentro do território, 02 caminhões e 02 tratores.

O mais revoltante é que policiais estiveram na região, acompanhados do prefeito de Zé Doca, mas nada fizeram. Ouviram apenas os não indígenas e retornaram para a cidade. No dia seguinte aumentou a perseguição em Zé Doca aos indígenas e aos aliados da causa indígena. Órgãos da imprensa, aliados dos madeireiros estão divulgando uma versão distorcida dos fatos, como se os indígenas tivessem causando o terror, quando na verdade estão sob ataque de perigosos bandidos.

Várias pessoas que prestam serviços e apoio aos indígenas estão ameaçadas de morte, sendo perseguidas, correndo o risco de se tornarem mais uma vítima dos fora da lei, ou “aliados da lei”, que atuam na região, assim como aconteceu com a liderança indígena, Eusébio Ka´apor, assassinado por madeireiros, em abril deste ano. Até agora, o crime segue impune.

O que nos causa perplexidade até agora, é a morosidade do governo do Estado e dos órgãos que deveriam atuar na proteção dos indígenas. Somente depois de recorrermos ao Ministério Público, recebemos a informação de que a Policia Federal e Civil, deslocaram-se para a região.

O conflito entre madeireiros e indígenas tem se intensificado desde que os indígenas Ka´apor iniciaram a retomada de seu território. Desde então, cresceu a perseguição à lideranças. Os Ka´apor denunciam ainda, que os madeireiros se apropriaram dos equipamentos de trabalho de mapeamento dos focos de incêndio e estão identificando as pessoas e fazendo ameaças.

Muitos dos municípios no entorno do território Ka´apor, vivem exclusivamente da exploração madeireira, no entanto, não podem fazer do seu principal pilar econômico a ilegalidade. Toda solidariedade ao Povo Ka´apor!

São Luis, 22 de dezembro de 2015




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