quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Liberdade e democracia – ocupar para resistir


Ocupar para resistir, sim! Com liberdade e democracia

"Não será um (ou mais) agente público, equivocadamente revestido de uma autoridade truculenta e arbitrária, que vai calar essas vozes que mal começaram a falar. Nós apoiamos e acreditamos nesses jovens. Porque eles são pessoas prontas para exercer plenamente seus papéis de cidadãos, transformando o Brasil e o mundo em um lugar mais digno de se viver"

Frente ao movimento estudantil de ocupação das escolas que acontece em todo Brasil como forma de protesto contra medidas do governo Temer e que também chegou ao Maranhão,  a  Agência de Notícias da Infância Matraca se posicionou de forma corajosa e clara em favor dos estudantes e do movimento de ocupação, divulgamos neste espaço excelente texto e vídeo produzido pela Matraca sobre o movimento. 


A ocupação do Liceu tem uma pluralidade de vozes e opiniões. Alunos, pais, diretor, professor e o presidente do grêmio nos relatam suas visões do ocorrido e da situação como um todo. De um lado, estão aqueles que buscam melhorias e dizem não ao retrocesso diante dos avanços conquistados, que almejam ser vistos e escutados. Do outro, aqueles que afirmam que as ocupações são ilegais, que ferem a constituição e impedem alunos de exercer o direito de estudar. E existem ainda aqueles que consideram as motivações dos estudantes legitimas, mas que eles deveriam pensar em outras formas de protestos, nas ruas ou sede dos governos, por exemplo.

O movimento de ocupações tem gerado uma série de opiniões controversas, porém uma coisa é certa: todos devemos respeitar a opinião do outro, mesmo se ela for oposta à sua. Somente assim serão construídos debates saudáveis e com maior probabilidade de êxito, então é fundamental que, independentemente da existência de diversos pontos de vista, se busque o diálogo, tolerância e respeito ao direito de livre expressão de todos.


Liberdade e democracia – ocupar para resistir

Por:  João Carlos Raposo

Será que esses estudantes estão nesse movimento, nessas ocupações, por motivação político/partidária? Será que querem prejudicar o calendário escolar? Ou será que eles estão preocupados com o seu futuro, logo o futuro de todos nós no Brasil?

O que salta aos olhos é que essa “meninada” percebe e assume, de forma irreversível, a importância do seu papel, e ele não é menos do que o de protagonista. Protagonistas no resgate e conquista de seus próprios objetivos, embasados em liberdade e democracia, contemplando outros objetivos que são universalmente brasileiros, como o direito à educação de qualidade e ao não retrocesso em avanços conquistados a duras penas.

Em um estado no qual os indicadores sociais são mais que vergonhosos, ter estudantes secundaristas e universitários que ‘se ocupam’ em defender o direito a uma educação de qualidade deveria ser visto como um sinal de esperança e não como uma ameaça.

Eles fazem a diferença e sabem disso, e não vão mais se calar. Não vão mais se omitir. Muito menos se esconder. Eles estão aí. Nas ruas, nas escolas, nas praças, nas ocupações, sim! E delas só sairão quando se sentirem contemplados, quando souberem que estão sendo ouvidos de verdade e que suas conquistas não serão jogadas na lata de lixo da História.

Não aceitam papel de coadjuvantes. E não aceitarão, jamais, a truculência da polícia. Eles querem apuração das violências cometidas em (01/11/2016) no Liceu Maranhense. De todas as violências, da agressão física à ameaça por filmarem as agressões. Eles querem a identificação do agressor, que com dedo em riste intimida e manda calar. Ou dos agressores. Eles querem a exemplar punição dessas pessoas. E a sociedade está solidária com eles. Ou, pelo menos, a parte lúcida dela está.

O que esses “meninos e meninas” querem é o que todos os que acreditam e lutam por justiça social neste país querem: direito à vida, liberdade de pensamento, de expressão, de crença; direito ao trabalho, à educação, à saúde, à previdência social, à moradia, à distribuição de renda; direito à paz, à autodeterminação dos povos; direito ambiental, inclusão digital. Enfim, respeito pela dignidade e o valor de cada pessoa.

Não será um (ou mais) agente público, equivocadamente revestido de uma autoridade truculenta e arbitrária, que vai calar essas vozes que mal começaram a falar. Nós apoiamos e acreditamos nesses jovens. Porque eles são pessoas prontas para exercer plenamente seus papéis de cidadãos, transformando o Brasil e o mundo em um lugar mais digno de se viver.

Ocupar para resistir, sim! Com liberdade e democracia.

Texto: João Carlos Raposo

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Clinica Santo André

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