quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O preconceito embutido na frase "Segundo a polícia a vitima era usuária de drogas"


Adolescente é executado com quatro tiros dentro de casa, no São Francisco



Mais um adolescente é morto a tiros em São Luis, os autores não foram identificados e os motivos do assassinato ninguém sabe. Até ai nenhuma novidade afinal isso já é de praxe nestes casos, infelizmente.

O que chama a atenção é a pecha ou a carga de preconceito que parte da imprensa faz questão de colocar sobre a vitima e seus familiares. Todo texto informando sobre este tipo de crime  traz a infame frase: "De acordo com informações policiais, a vitima era usuário de drogas". A infeliz frase parece querer justificar o crime, ou pior ainda, tenta de forma sorrateira passar a impressão de que a vitima mereceu o fim que teve,  ou que a sociedade se livra de mais um estorvo. 

O termo  "a vitima era usuário de drogas" é vazio e genérico, basta ver que o fumante é usuário de drogas, o dito "cidadão de bem" que ingere bebida alcoólica é usuário de drogas. Alguém pode questionar que estas são drogas licitas, e qual a diferença nos danos e efeitos causados por drogas licitas e ilícitas? os objetivos de quem as usa é o mesmo. O que muda é apenas a classe social e a cor da pele de quem usa, e por isso uns são discriminados com termos pejorativos e outros não.

É duro saber que o preconceito maléfico desta mídia sensacionalista que tem como único objetivo vender jornal e buscar acessos para obter novos e caros anunciantes, chega até o leitor de foma voraz e infelizmente forma opiniões desfocadas ou distorcidas daquilo que é a dura e cruel realidade das milhares de crianças e adolescentes pobres desta metrópole de mais de um milhão de habitantes e deste estado, expostas a todo tipo de perigos e entregues a própria sorte ou com diz o ditado, entregues ao "Deus dará".

A mesma imprensa que justifica a morte de adolescentes pobres e negros em São Luis e no Maranhão por serem usuários de drogas, esquece de dizer, ou omite por exemplo, que esta semana a juíza titular da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís, Luzia Madeiro Nepomucena, determinou às clínicas psiquiátricas de São Luís conveniadas com o SUS (Sistema Único de Saúde) que façam a internação compulsória de dependentes químicos para tratamento médico especializado pelo tempo necessário para a recuperação do paciente. Segundo a magistrada, os estabelecimentos de saúde, mesmo recebendo recursos públicos, recusam-se a fazer a internação.

O jornalismo social e cidadão é esquecido, quando esta imprensa omite, não mostra, não cobra, e não procura saber, aonde e como funcionam os programas sociais voltados para estas crianças e adolescentes. Como funciona e se funciona a infra estrutura básica que deveria em tese dar apoio a eles. Qual é a realidade da comunidade em que moram estas pessoas, isso não é mostrado. 

O nosso papel enquanto individuo consciente, inserido dentro da sociedade civil organizada, é combater este tipo de preconceito com ações pró positivas, incentivando um debate mais profundos das verdadeiras causas do extermino de nossos adolescentes, exigindo, além da identificação, a punição dos culpados por crimes tão hediondos.

É preciso combater com veemência este estigma, esta pecha, que parte da imprensa tenta colocar nos adolescentes e crianças quando na realidade, ao invés de criminosos, eles são pobres e infelizes vitimas de um sistema maléfico.


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Um adolescente foi executado na manhã desta quinta-feira (27), com quatro tiros, no bairro do São Francisco. O crime ocorreu no interior da sua residência, localizada na Avenida Ferreira Goulart, no São Francisco. De acordo informações policiais, a vitima era usuário de drogas.

De acordo com testemunhas, por volta das 8h40, dois homens, não identificados, que estavam em uma moto, após estacionarem o veículo na avenida, seguiram a pé até a quitinete, onde o adolescente morava com os pais. Ao ser chamado pelo apelido, a vítima abriu a porta, sendo alvejado com quatro tiros. No momento do crime, duas crianças estavam na residência.
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