Memento Mori: a maldição de Sísifo e a inevitável certeza da morte
Por Abimael Costa Memento mori. Lembra-te de que morrerás! Essa expressão milenar deveria estar inscrita, em letras indeléveis, no pórtico de entrada de todos os cemitérios. Não como uma ameaça, tampouco como uma sentença de desespero, mas como um lembrete da mais absoluta, democrática e incontornável das verdades humanas: somos todos mortais, sem direito a prorrogação da existência. Neste 2 de novembro, Dia de Finados, ao caminhar entre túmulos, lápides e mausoléus, visitando a última morada daqueles que amamos, sou inevitavelmente confrontado com a fragilidade da condição humana. Ali repousam sonhos interrompidos, projetos inacabados, amores que não tiveram tempo de se despedir, vozes silenciadas e histórias que o tempo insiste em apagar. O cemitério é, talvez, o mais eloquente dos livros de filosofia. Suas páginas são de mármore, suas palavras são nomes e datas, e suas lições dispensam qualquer interpretação: todos os caminhos, por mais diferentes que sejam, conduzem ao mesmo destin...