domingo, 16 de novembro de 2014

Quem matou Luís Alfredo?



Ruy Palhano Silva
Me solidarizei com a família do colega Luis Alfredo e manifestei meu profundo pesar, tristeza e indignação ante a violência que nos chega a todo instante e da forma brutal como ele fora assassinado. Hoje, mais outros corpos estendidos no chão e sangue correndo ao seu redor. Como ocorre a todo minuto, toda hora, todo dia , todo mês e todo ano. Essas cenas se repetem aos nossos olhos. Cenas que já fazem parte do cenário urbano e que já nos é familiar. No final de semana em que ocorreu a morte desse colega foram 24 homicídios, ampliando as estatísticas por morte desse tipo, que não para de crescer. 

Hoje, como disse, outros seres humanos foram mortos vítima de assassinatos aos nossos olhos. Vítimas da violência e de suas diferentes formas de se expressar, em nossa cidade e em nosso país. A morte do colega Luis Alfredo, corrobora a ascensão da violência e do crime entre nós. O que mais nos deixa indignados, afora a dor de sua pela perda, é tolerância inominável e o indiferentismo das autoridades encarregadas de garantir minimamente nossa segurança.

A violência cresce em proporções incontroláveis, que já se tornou “banal matar os outros". Ao mesmo tempo um estado contemplativo, indiferente á essa onde de crimes, onde as autoridades parecem não saber o que fazer para conter esses fatos. Isso é algo assustador e revoltante, que associado á malfadada impunidade a esses crimes, retroalimenta, o processo criminogênico desenfreado que vem tomando conta de todos, nos conduzindo a um destino inóspito de ter que morrer assassinado pelas mãos de delinquentes por que as mesmas autoridades não sabem muito bem o que fazer com eles. 

Que morte indigna, inaceitável e vergonhosa, pois, por mais que nos mandam “não reagir”, não a aceitamos por se tratar de uma morte por uma submissão, humilhante e pelas mãos de bandidos. Ei-los, definindo as fronteiras da vida e da morte e o estado contemplando e contabilizando as mortes. Estamos completamente a mercê dos bandidos, tanto os de "colarinho branco, quanto aos sem qualquer colarinho". E é o que não falta nos dias atuais. 

Ao longo dos meus 64 anos nunca vi nada igual. O cenário pessoal e social dessa mortandade é o pior de qualquer guerra civil que houve nos últimos anos. Nessas, há trégua e a motivação e os motivos são conhecidos, na nossa, não ha trégua, não há motivação e os responsáveis se escondem, não assumem. É a barbárie tomando forma e conta da sociedade. 

Onde já se viu isso? Nem em épocas mais antigas onde o homem vivia sobre a primazia da rudez e de sua natureza primitiva se matava tanto quanto ao que se mata hoje, pois nessas épocas as pessoas se matavam por sobrevivência, e hoje, por genocídio.

Afinal, quem matou Luis Alfredo e muitos outros que se encontram hoje estirado no chão? O bandido? A impunidade? o indiferentismo ou a a negligência do estado? ou todos nós? Quem cobrirá a dor dessa e de dezenas de outras famílias que perdem seus entes queridos? Quem responde pela insegurança pública que nos destrói a todo instante? Onde estão os recursos destinados á segurança? Quem responde por tanta atrocidade? São tantas as perguntas sem respostas, encobertas por esses e por outros crimes que permanecem sem resposta!

Todos sabem sobre as bases de tudo isso, porém o medo, a insegurança, o indiferentismo, a negligência e muitas outras mazelas nos tornaram inseguros ao ponto de nós nos imobilizamos, perdemos a capacidade de reagir, estamos atônitos, perplexos escondidos, entrincheirados em nossa própria casa ou dentro de nós mesmos. É tanto o desespero que muitas vítimas dessa mesma violência, querem fazer justiça com as próprias mãos. Como se isso fosse resolver nossos problemas. Matar quem nos mata não é a melhor saída para resolver esse tipo de problema, pois nesses casos o que vigora é a revolta.

Certamente o estado tem uma parcela grande de responsabilidade sobre tudo isso, assim como todos nós, pois constitucionalmente deveria garantir nossa segurança e nosso bem estar social. Lamentavelmente não é isso que ocorre. Todos, á mercê do banditismo do medo e da insegurança e vivendo sob a égide de “cada um que se cuide” se defenda. 

É lamentável termos chegado a esse ponto e, ao que parece, muita pouco tem sido feito efetivamente para debelarmos as profundas causas que há por trás de tudo isso, portanto, fiquemos cada vez mais atendo a tudo que nos ocorro pra tomarmos ações mais efetivas pra nós todos esses problemas.

* Ruy Palhano 

PSIQUIATRA Ruy Palhano Silva
MÉDICO NEUROPSIQUIATRA, PROFESSOR DE PSIQUIATRIA DO CURSO DE MEDICINA DA (UFMA),
 MESTRE EM CIÊNCIAS DA SAÚDE (UFMA),
 ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA PELA (UNIFESP),
EX - PRESIDENTE DA ACADEMIA MARANHENSE DE MEDICINA.
RUY.PALHANO@TERRA.COM.BR


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