sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Polícia está na rua para cumprir 80 mandados de apreensão em desfavor de adolescentes em conflito com a lei


Com as unidades superlotadas e histórico constante de fugas, a Funac já não consegue absorver os adolescentes em conflito com a lei apreendidos a todo instante pela policia e encaminhados para a Delegacia de Proteção Criança Adolescente (DPCA). Como se não bastasse todo esse caos anunciado, desde a última segunda-feira (17), uma operação  da Polícia Civil realizada em conjunto com o Ministério Público e Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), tenta cumprir 80 mandados de apreensão em desfavor de adolescentes reincidentes. 

Oitenta adolescentes em conflito com a lei são alvo de operação da Polícia Civil que tem como objetivo o cumprimento de mandados de internação de menores reincidentes. Estes jovens, em sua maioria, são suspeitos de participar de atos de violência registrados na região metropolitana de São Luís, durante a semana em que foi realizado o 1º turno das eleições. São suspeitos, também, de cometerem atos infracionais graves incluindo roubos, tráfico de drogas e homicídios. Desde o início da operação, na segunda-feira, 17, um total de 10 adolescentes foram identificados e reencaminhados às unidades de internação na capital. A polícia também cumpre mandados de apreensão. A operação da Polícia Civil é realizada em conjunto com o Ministério Público e Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
A ação foi planejada durante reunião entre agentes da Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC) e do Centro de Proteção à Criança e Adolescente (CPCA), quando foram levantados diversos processos. “São casos de descumprimento do chamado da justiça. Boa parte destes adolescentes fugiu ao saber da decisão judicial, ou, simplesmente não compareceram mesmo comunicados. Com isso, esses jovens voltam para o cometimento de ilícitos, aliciados por criminosos e aumentando sua ficha infracional”, ressalta o titular da SPCC, delegado Armando Pacheco.
Ao ser cumprido o mandado de apreensão, o adolescente é encaminhado para a Delegacia de Proteção Criança Adolescente (DPCA) e de lá, para o Centro de Juventude Canãa, no Vinhais, onde pode permanecer por 45 dias, até que a Justiça defina o encaminhamento. “O que esperamos é que eles possam ser encaminhados para cumprir as medidas socioeducativas. O próprio histórico deles possibilita essa decisão judicial”, explica Pacheco. No regime de internação o adolescente infrator pode cumprir até três anos de medidas.
Em alguns casos, há adolescentes com histórico de mais de cinco roubos e homicídios, informa a titular da DAI, Hirana Cláudia Coelho. “E eles deveriam estar cumprindo as medidas socioeducativos e por algum motivo que não entendemos estão fora do sistema cometendo mais infrações. Ficamos de mãos atadas, pois à polícia cabe a apreensão destes jovens, mas não temos ingerência sobre a decisão da medida a cumprir”, enfatiza Hirana Coelho. Todos os processos dos adolescentes envolvidos são remetidos à Justiça. “Dessa forma, o juiz terá base na sua decisão e o que vemos é que até os promotores têm acolhido o trabalho da delegacia e representado pela internação destes jovens”, disse a delegada.
O trabalho prossegue ao longo da semana e será permanente. Outros processos estão em fase de levantamento na DAI para que sejam identificados mais adolescentes nessa situação. A ação policial prendeu ainda um homem identificado por Elielson Pereira Reis, suspeito de roubo, que foi levado para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Em apoio ao trabalho estão ainda a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) e distritos ligados às Superintendências de Polícia Civil das Seccionais Norte, Sul, Leste e Oeste.

Por Sandra Viana/Mauro Wagner
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