quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Chega de impunidade















Um caso de estupro registrado em Imperatriz, no último domingo (29), vem provocando revolta, protestos e inúmeras manifestações de apoio a vitima que alem do estupro, sofreu esganadura, e varias lesões no corpo. Preso pela Polícia Civil ainda no domingo, o acusado foi liberado no dia seguinte após Audiência de Custódia. Uma grande manifestação está programada para esta quarta-feira (1º), a a partir das às 16h, em frente ao Fórum Henrique de La Roque. ENTENDA O CASO.



Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo  publicou texto condenando o fato do acusado ter sido colocado em liberdade horas depois do crime.  


Numa sociedade marcada por preconceitos, falso moralismo e hipocrisia, fruto de uma cultura machista e patriarcal, a VIOLÊNCIA SEXUAL tem sido utilizada como forma de punir as mulheres que vivem sua vida com autonomia, seja no espaço público ou privado.

Ir a uma festa se divertir e voltar para casa em segurança é tudo que qualquer jovem deseja.

Ir para uma festa e depender de carona para voltar para casa e, gentilmente, aceitar uma carona de um dos “caras” que estava na festa, que mora na mesma região que você, é absolutamente natural e saudável para qualquer jovem que não tenha condução própria.

Ser surpreendida pelo “cara” que você confiou e ser estuprada cruelmente é uma tragédia na vida de qualquer mulher. Milhares de questões vem na sua mente, e você termina se sentindo culpada pro ter “confiado” naquele cara, que disse, gentilmente, que te daria um carona.

ESTAMOS AQUI PARA TI DIZER: VOCÊ NÃO É CULPADA POR TER CONFIADO NESSE COVARDE ESTUPRADOR.

A culpa é dele, que resolveu acreditar que todas as mulheres que se aproximam dele “tem que dá pra ele”. A culpa é dele que vê as mulheres como meros depósitos de esperma, e nunca como seres humanos com direito de decidir sobre seus próprios desejos.

A culpa é dele que acredita que um “homem” não deve dá uma carona para uma mulher sem tirar proveito pessoal da situação.

A culpa é dele, que não reconhece nos outros seres humanos a confiança depositada, mesmo em tempos tão difíceis, e covardemente te apaga por asfixia sem deixar se quer a possibilidade de autodefesa e te estupra como o ser desprezível que ele é.

Sim a culpa é do sistema de justiça que mantém estupradores covardes e vis soltos nas ruas da nossa cidade para fazer outras vitimas, porque não tem vaga nas cadeias.

A culpa é de quem justifica que “estavam todos bêbados na festa” e faz desse discurso mentiroso, ( sim nós sabemos que você e outras/os não estavam bêbadas/dos, tão pouco o estuprador) a explicação para um o crime bárbaro e hediondo , naturalizando a atitude do estuprador.

Sim a culpa é dos que defendem que a educação de gênero não seja praticada nas escolas, igrejas, espaços públicos e domésticos, desconstruindo a cultura do estupro e da violência de gênero.

Queremos lembrar ao Judiciário Maranhense e ao Ministério Público, que no Brasil, a violência contra a mulher é crime previsto em leis nacionais, legitimado em acordos internacionais, a exemplos da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), da Lei nº 13.104/2015 (Lei do Feminicídio), e da Convenção de Belém do Pará, que caracterizam como intolerável qualquer violência de gênero contra as mulheres, devendo esta ser denunciada e investigada, como autores identificados, responsabilizados e punidos.

Num contexto no qual os direitos das mulheres são constantemente violados, com requinte de crueldade – a exemplo dos estupros coletivos – constata-se o ódio de gênero contra as mulheres, nós, mulheres, do Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo, repudiamos toda e qualquer forma de beneficio aos estupradores incluindo a esses, liberdade, concedida em audiência de custodia, para responder pelo crime praticado, enquanto à vítima fica sob medida protetiva, que não a protege de nada.

Entendemos que Agnaldo Junior é sim um perigo para a sociedade e seu lugar é na prisão, como todos os estupradores, assim como entendemos que audiência de custódia , não é espaço jurídico legitimo para liberar estupradores da prisão preventiva.

Nos solidarizamos a vítima de Agnaldo Junior e a família da mesma, a todas as mulheres que constantemente são violentadas pelo machista, sexista e misógina, assim como conclamamos a sociedade a repudiar toda e qualquer forma de violência contra as mulheres e a se posicionar firmemente contra a naturalização e a CULTURA DO ESTUPRO!

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