Assembléia apressa votação de projeto que acaba com privilégios



Gilberto Léda - Marco Aurélio D´Eça
Da editoria de Política
Jornal "O Estado do Maranhão"



Deputados pedem urgência na tramitação da proposta, diante da repercussão negativa.
Pressionada pela opinião pública, a Assembleia Legislativa vai apressar a tramitação do Projeto de Resolução que põe fim ao pagamento de 18 salários aos deputados estaduais. E quer avançar mais ainda: o líder do governo na Casa, deputado César Pires (DEM), quer reduzir não só de 18 para 15, mas para 13 o número de subsídios anuais. Além disso, Pires vai propor o fim do pagamento de auxílio-saúde aos ex-deputados.

Relator da proposta que já tramita na Casa, Rogério Cafeteira (PMN) também anunciou o pedido de urgência na tramitação, mas da primeira proposta, que reduz de 18 para 15 o número de subsídios. Todas as ações tentam minimizar o desgaste causado pela denúncia de domingo, do programa Fantástico, da Rede Globo.

A proposta de redução do número de subsídios foi protocolada na Assembleia desde o início do mês de março, mas nunca sequer foi votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Agora, os deputados querem acelerar a tramitação. "Vou apresentar o pedido de urgência para que o projeto seja votado logo", frisou Rogério Cafeteira. Ele explica que sua proposta de aguardar a votação do projeto na Câmara tinha apenas o objetivo de evitar votar duas vezes a mesma coisa. "Peço a urgência para que se vote logo, do jeito que está", disse Cafeteira.

Mas, se o objetivo é se igualar ao que pretende o Congresso Nacional, a proposta de César Pires já foi protocolada desde ontem. "A proposta é reduzir os subsídios para apenas 13 anuais", explicou o líder do governo.

Mas a polêmica já avançou sobre os privilégios dos deputados estaduais. O questionamento agora é quanto ao pagamento de plano de saúde para os parlamentares. O valor é de R$ 1.050,00 por parlamentar e para ex-parlamentares. César Pires considera que ex-deputados não deveriam receber o auxílio. "Até porque nem todos recebem", ponderou ele. O projeto pondo fim ao privilégio para ex-parlamentares deu entrada ontem na Casa.

Além dos 18 salários anuais e do plano de saúde, um deputado estadual maranhense recebe ainda outras vantagens. São R$ 15 mil a título de verba de gabinete e mais R$ 17.894,00 a título de verba indenizatória, para gastos com publicidade, transporte e escritório particular, que precisam ser comprovados com nota fiscal.




Relator quer urgência na tramitação


O deputado estadual Rogério Cafeteira (PMN) disse que pedirá, hoje, a urgência na tramitação do Projeto de Decreto Legislativo nº 003/2012, de iniciativa da Mesa Diretora, que altera a redação do artigo 4º do Decreto Legislativo nº 405/2010, e reduz de 18 para 15 os salários dos deputados maranhenses.

Os três salários a serem cortados são recebidos, atualmente, como ajuda de custo, no início e no fim de cada legislatura. Já em dezembro deste ano, cada um dos parlamentares receberá o equivalente a 1,5 salário a menos no contracheque se o projeto for aprovado em plenário.

Segundo Cafeteira, a decisão de pedir urgência foi tomada devido ao clamor popular que voltou a se formar após a exibição, pelo programa Fantástico, de reportagem tratando dos 18 salários rcebidos por deputados maranhenses.

"Existe um clamor popular e precisamos dar uma resposta rápida aos cidadãos. Eles esperam essa postura dos seus representantes", disse o parlamentar.

Rogério Cafeteira, que é relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia, explicou que existia a intenção de aguardar um posicionamento do Congresso Nacional sobre o corte do 14° e 15° salários para, então, os deputados maranhenses decidirem pela votação do projeto que já tramita na Casa.

No entanto, ele acredita que a decisão do Legislativo maranhense sobre o corte dos três salários deve ser tomada logo, mesmo que outro projeto tenha que ser votado para adequar a realidade local à da Câmara e do Senado.

"Não há por que esperar. Se mais tarde o Congresso decidir pelo corte do 14° e 15° salários, nós também aprovaremos aqui, o que não podemos fazer é deixar a população, que clama por moralidade, esperando até que isso seja resolvido em Brasília", completou.

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