Domingo da Ressurreição
Coluna do Sarney
08/04/2012
Domingo da Ressurreição
Tenho repetido algumas vezes a sentença de São Paulo de que sem ressurreição não há cristianismo. Esta é a base fundamental dos ensinamentos cristãos. Dom Miguel de Unamuno, o grande pensador espanhol, num livro que muito me influenciou na juventude, O Sentimento Trágico da Vida, fala das crenças antigas e o que representou a pregação de Cristo no anúncio de um caminho novo para salvação da Humanidade.
O homem nunca aceitou a realidade da morte. Sempre desejou ser eterno. E como o corpo é finito, criou a concepção da dualidade, corpo e alma, entes independentes. Já no século XVII, Descartes foi o maior defensor dessa dicotomia.
Na história do homem na Terra foram construídas várias teorias para a crença da alma imortal. Como seria este outro mundo invisível, já que a ninguém foi dada a condição de ver a face de Deus? A mais forte de todas as concepções era a de que a alma imortal voltava encarnada em outras pessoas ou animais vivendo outra vida na mesma vida e assim se perpetuava na eternidade pagã.
Unamuno diz que o cristianismo surgiu para dar um novo sentido à nossa vida. Pela primeira vez, surgia um caminho na verdade da ressurreição dos mortos, com as mesmas vestes e os mesmos corpos para ficar na glória de Deus, desde que seguíssemos os mandamentos do Redentor. Esses mandamentos eram coisas simples, mas capazes de revolucionar a conduta humana. Quando Jesus nasceu era um tempo de escravos e senhores, de violência, da lei dos mais fortes, das condutas morais determinadas pela Lei de Talião - olho por olho, dente por dente, tempos de vingança, do direito de matar. Então, surge a sua pregação de que devíamos amar ao próximo como a nós mesmos, perdoar os nossos inimigos, rezar por eles, buscar a paz interior, isto é não a ausência de guerra, mas a ausência de pecado. Novos valores morais surgiam, a caridade, a solidariedade, o perdão. A revelação de que todos somos irmãos, porque filhos de Deus, resolvia o problema da desigualdade. Esse foi o grande ensinamento num mundo dividido de classes e de desprezo pelos pobres e miseráveis, enfim, um conjunto de normas de conduta que nos leva a uma verdadeira paz. Voltaire dizia não ser cristão, mas que ensinava a seus filhos a Lei dos Dez Mandamentos.
Esse é o coração do cristianismo, mas tendo como base a ressurreição. Daí ter dito São Paulo: "Se Cristo não ressuscitou é vã nossa fé". Daí a importância da Páscoa, é ela que coroa e justifica a vinda do Messias.
No Colégio Marista, eu era do coro de alunos, e até hoje recordo e mantenho a empolgação com que cantávamos na missa da Ressurreição: "Prostai-vos ó mortais/ Viva aos céus externai/ Celebrei o Rei da Glória/ De Quem vos Abre as prisões."
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Boa Páscoa a todos!
08/04/2012
Domingo da Ressurreição
Tenho repetido algumas vezes a sentença de São Paulo de que sem ressurreição não há cristianismo. Esta é a base fundamental dos ensinamentos cristãos. Dom Miguel de Unamuno, o grande pensador espanhol, num livro que muito me influenciou na juventude, O Sentimento Trágico da Vida, fala das crenças antigas e o que representou a pregação de Cristo no anúncio de um caminho novo para salvação da Humanidade.
O homem nunca aceitou a realidade da morte. Sempre desejou ser eterno. E como o corpo é finito, criou a concepção da dualidade, corpo e alma, entes independentes. Já no século XVII, Descartes foi o maior defensor dessa dicotomia.
Na história do homem na Terra foram construídas várias teorias para a crença da alma imortal. Como seria este outro mundo invisível, já que a ninguém foi dada a condição de ver a face de Deus? A mais forte de todas as concepções era a de que a alma imortal voltava encarnada em outras pessoas ou animais vivendo outra vida na mesma vida e assim se perpetuava na eternidade pagã.
Unamuno diz que o cristianismo surgiu para dar um novo sentido à nossa vida. Pela primeira vez, surgia um caminho na verdade da ressurreição dos mortos, com as mesmas vestes e os mesmos corpos para ficar na glória de Deus, desde que seguíssemos os mandamentos do Redentor. Esses mandamentos eram coisas simples, mas capazes de revolucionar a conduta humana. Quando Jesus nasceu era um tempo de escravos e senhores, de violência, da lei dos mais fortes, das condutas morais determinadas pela Lei de Talião - olho por olho, dente por dente, tempos de vingança, do direito de matar. Então, surge a sua pregação de que devíamos amar ao próximo como a nós mesmos, perdoar os nossos inimigos, rezar por eles, buscar a paz interior, isto é não a ausência de guerra, mas a ausência de pecado. Novos valores morais surgiam, a caridade, a solidariedade, o perdão. A revelação de que todos somos irmãos, porque filhos de Deus, resolvia o problema da desigualdade. Esse foi o grande ensinamento num mundo dividido de classes e de desprezo pelos pobres e miseráveis, enfim, um conjunto de normas de conduta que nos leva a uma verdadeira paz. Voltaire dizia não ser cristão, mas que ensinava a seus filhos a Lei dos Dez Mandamentos.
Esse é o coração do cristianismo, mas tendo como base a ressurreição. Daí ter dito São Paulo: "Se Cristo não ressuscitou é vã nossa fé". Daí a importância da Páscoa, é ela que coroa e justifica a vinda do Messias.
No Colégio Marista, eu era do coro de alunos, e até hoje recordo e mantenho a empolgação com que cantávamos na missa da Ressurreição: "Prostai-vos ó mortais/ Viva aos céus externai/ Celebrei o Rei da Glória/ De Quem vos Abre as prisões."
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Boa Páscoa a todos!
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Jornalista Abimael Costa