A FOBIA, O FÓBICO E O TELEFONE CELULAR - Por: Ruy Palhano*
Por: Ruy Palhano*
*Psiquiatra
E-mail: ruy.palhano@terra.com.br
*Psiquiatra
E-mail: ruy.palhano@terra.com.br
*Neuropsiquiatra
A "Era da Informação", também conhecida como "Era Digital", que compreende o período que vem após a "Era Industrial", surge no princípio do século XX, mais especificamente na década de 1980, e caracterizou-se como o momento da redefinição de novos paradigmas da comunicação.Isso foi atribuído ao surgimento, entre outras coisas, dos microprocessadores, da internet, da fibra ótica, do computador pessoal etc.
Foram inovações que marcaram a história e o desenvolvimento do homem na terra e redefiniram um novo processo nas experiências pessoais e sociais. Pode se afirmar que a "Era Digital", na escala do desenvolvimento antropológico, colabora para a reinvenção de outro homem, o "homem tecnológico".
Os novos conhecimentos impostos pela evolução científica e tecnológica não se estabeleceram de forma imediata, abrupta e imprevista, muito pelo contrário, surgem de forma progressiva e sistematizada, porém com uma velocidade surpreendente que nos dá a sensação de estarmos vivendo em outro mundo, totalmente diferente do que vivíamos até então, ao ponto de já se notar claramente que o"passado e o presente" estão sem grande lapso no tempo. Isto é, o "ontem e o hoje" parecem coisas muito diferentes, apesar de estarmos no presente.
Como não podia ser diferente , essa nova era está também interferindo, sobremaneira, na definição transcultural do adoecer psiquiátrico do "homem tecnológico", redefinindo comportamentos psicopatológicos disfuncionais estabelecidos nas suas relações com as tecnologias atuais, isto é, já se identifica clinicamente grupos de pessoas que estão adoecendo mentalmente por causa do uso inadequado das ferramentas e de algumas atividades. estão surgindo enfermidades psiquiátricas eletrônicas e as que mais vem sendo estudadas são, o jogo patológico e a dependência de celulares (nomofobia).
O jogo disfuncional ou patológico já está classificado psicopatologicamente como doença relacionada ao controle dos impulsos. Os pacientes se caracterizam clinicamente com tendo dificuldades no controle do desejo de jogar , apesar dos prejuízos que isso lhe acarreta, além de outros danos psicossociais. Desprendem muito tempo no jogo, e apresentam dificuldades em abandoná-los e, quando o fazem, passam mal.
Este quadro também é encontrado entre os usuários disfuncionais de telefones celulares, fato que levou os pesquisadores ingleses a designarem esse fenômeno de "nomofobia", denominação proveniente da justaposição de dois termos: nomo (no mobile) e fobos (pavor, medo disfuncional). Este transtorno está localizado psicopatologicamente no âmbito da ansiedade.
Nesse sentido dois aspectos merecem ser colocados. O primeiro é que o jogo patológico já é uma doença reconhecida e classificada pela OMS, desde 1980.
A nomofobia ainda não foi classificada como doença, merecendo ainda muitos estudos para tanto. estima se que na próxima classificação da OMS, prevista para 2013, esses transtornos já figurem na nova Classificação Internacional das Doenças. O segundo fato é que muitos dos "enfermos eletrônicos" já são portadores de transtornos psiquiátricos que ainda não haviam se revelados e que por conta das ligações patológicas com equipamentos ou atividades eletrônicas, passaram a apresentar.
Das doenças mais comuns encontradas em populações pesquisas, destacam-se: depressivos, tímidos, solitários, inseguros de si mesmo, fóbicos sociais, esquizofrênicos, ansioso, personalidades doentias. Enfim, os eletrônicos, equipamentos ou atividades podem representar disfarces psicopatológicos opara muitas pessoas doentes mentais.
*PSIQUIATRA - Ruy Palhano Silva
- MÉDICO NEUROPSIQUIATRA
- PROFESSOR DE PSIQUIATRIA DO CURSO DE MEDICINA DA (UFMA)
- MESTRE EM CIÊNCIAS DA SAÚDE (UFMA) - ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA PELA (UNIFESP)
- EX - PRESIDENTE DA ACADEMIA MARANHENSE DE M MEDICINA.
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