Outros vícios da vida - Por: Ruy Palhano*



Por: 
Ruy Palhano* 


 
O termo vício está em desuso, muito embora ainda muito utilizado em diferentes sentidos e ocasiões. É um termo carregado de preconceito e excludente do ponto de vista social e psicológico. Significa um defeito grave que torna uma pessoa inadequada para certos fins ou funções; o viciado tem inclinação para o mal e é considerado desagregado, descontrolado e sua conduta é desaprovado e condenável é ainda considerado um devasso licencioso. À luz da psiquiatria está relacionado aos indivíduos com maus hábitos, em especial para o consumo de drogas entre as quais o álcool, tabaco e outras substâncias. São pessoas que ainda hoje, por predominar a visão moralista sobre o assunto, são fortemente alijados do convívio social.
Com o avanço científico e tecnológico que vem moldando outras formas de comportamentos entre os seres humanos pós-modernos, vem surgindo diferentes padrões de vivências, pessoal e social, muito diferentes aos que predominavam antes do desenvolvimento destas tecnologias. Alguns destes comportamentos modernos são muito parecidos aos comportamentos dos viciados em drogas, onde a diferença central é estas não estarem presentes e sim os modernos equipamentos que fazem parte desta nova sociedade tecnocrática. Estes comportamentos produzidos pela era digital e tecnológica, e muitos outros inspirados nestas modernas tecnologias, passou-se a denominar “vícios eletrônicos”.
Capitaneando todas estas inovações e redefinido novos tempos nas relações humanas está a internet, a grande teia de computadores que transformou o mundo e o homem em outros significados. Deixou-o menos singular e mais global, menos terráqueo e mais telúrico, menos material e mais virtual mais cético e menos crítico, mais lógico e menos sensível.
Filhotes da rede estão os tablets, os celulares, os computadores, os smartfones e outros fabulosos aparelhos eletrônicos que conquistaram o homem por inteiro por atingirem sua aspiração essencial, o prazer. A tecnologia digital nos dá tudo que precisamos sem fazer esforços e nos agrada em geral. Os brinquedos eletrônicos, os aparelhos inteligentes, tornaram tudo mais fácil e praticamente tudo ao nosso alcance. Em breve poderemos ter orgasmos virtuais, pois já namoramos, casamos, viajamos nos formamos, estudamos ou não fazemos nada, sem sair de onde estamos.
As filhas da internet são as redes sociais. Nosso país detém o terceiro lugar no mundo de acessos à redes sociais especialmente “faceboock, tweter e linked-in”. Talvez não haja algo mais sedutor do que você falar com todo mundo sem abrir a boca, você sair de casa sem dar um passo, amar sem sentir o corpo e a voz da pessoa amada, e se sentir acompanhado por milhares de pessoas sem apertar as mãos de nenhuma delas. Que coisa fabulosa o que mais queremos no futuro?
Os incautos foram fundos ao pote. Mergulharam profundamente neste mundo maravilhoso e perderam os limites. Ficaram doentes e adoeceram suas famílias. Esta é a mais nova categoria de doentes mentais, produzidos pela era eletrônica que avança a passos largos e que se anuncia para os próximos anos. Os dependentes em eletrônicos.
O perfil epidemiológico destes doentes está sendo construído e acredito que em um futuro próximo se possa saber melhor sobre os mesmos. É um doente grave, pois se revelam de forma sutil, e quando aparecem, já são graves os sintomas das relações com os eletrônicos.
O contraditório da “enfermidade eletrônica”, é que não é só o apego doentio aos aparelhos que definem a doença, por trás de muitos está a “solidão”, o fracasso das relações sociais, a desesperança, os medos reais no convívio interpessoal, a desconfiança nos outros, o desamor e muita depressão clinicamente significativa que não aprecem por ficarem encoberta pela pelo comportamento virtual.
Os dependentes de jogos eletrônicos, vídeo games, de bingos, de pôquer, de internet de comida, de telefone, de redes sociais, se constitui um dos maiores e mais importantes desafios para a saúde mental para os próximos anos. A Associação Mundial de Psiquiatria reconhece a existência destes doentes, que são cada vez maiores, embora ainda não tenham sido classificados do ponto de vista médico.
*PSIQUIATRA - Ruy Palhano Silva


- MÉDICO NEUROPSIQUIATRA                                                         - PROFESSOR DE PSIQUIATRIA DO CURSO DE MEDICINA DA (UFMA)    - MESTRE EM CIÊNCIAS DA SAÚDE (UFMA)                                        - ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA PELA (UNIFESP)              - EX - PRESIDENTE DA ACADEMIA MARANHENSE DE MEDICINA.
    RUY.PALHANO@TERRA.COM.BR










Por: Ruy Palhano*
*Psiquiatra
E-mail: ruy.palhano@terra.com.br
 
*Neuropsiquiatra
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