PMDB é solidário a Washington para eleições


Marco Aurélio D´Eça
Da editoria de Política
O ESTADO
08-04-2012
Apontado como um dos principais membros da equipe da presidente Dilma Rousseff (PT) - e cotado até para ser o candidato dela a presidente do Senado -, o ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão, esteve em São Luís no início da semana passada. Veio participar de evento da seccional maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil e recebeu O Estado para entrevista em seu apartamento, na última terça-feira. Lobão falou dos projetos da pasta, da volta ao Senado e de eleições municipais e estaduais. E garantiu que Washington tem condições de estabelecer uma campanha vigorosa para chegar à Prefeitura de São Luís.
O Estado - O senhor chega hoje (terça-feira) ao Maranhão para uma palestra na OAB. Mas também foi ao Ceará. Fazer o quê?
Edison Lobão - Estive no Ceará, onde fui iniciar a produção de aerogeradores de uma grande indústria alemã, que se implantou naquele estado, onde já existe outra grande indústria, do mesmo gênero. Dentro de quatro anos, teremos implantados no Brasil cerca de oito mil megawatts de energia eólica, o que significa cerca de 6% da totalidade de energia produzida no Brasil.
O Estado - Esta situação do Brasil, com vastas áreas rurais, para onde precisa ser levada energia, se repete em outras partes do mundo? Na Europa, por exemplo?
Lobão - Na Europa, não. Mas na China, na Índia, países mais populosos do mundo, isto tem ocorrido. A China tem 1,3 bilhão de habitantes; a Índia, 1,1 bilhão. Estes países estão entrando fortemente na universalização da energia. Mas o Brasil foi o madrugador deste programa social. A Índia copiou o Luz para Todos do Brasil, concebido pelo presidente Lula, implantado pela então ministra Dilma Rouseff e agora executado por mim.
O Estado - Na sua gestão no Ministério de Minas e Energia, um dos destaques é a descoberta de gás, novas jazidas de petróleo, e o pré-sal. Em que patamar o Brasil está hoje no mercado mundial?
Lobão - O Brasil é hoje o décimo consumidor de petróleo no mundo. E nós estamos caminhando para sermos o sétimo ou sexto maior produtor de petróleo, quando as riquezas do pré-sal forem incorporadas à produção nacional de hidrocarburetos. O pré-sal é uma riqueza imensa, uma coisa jamais vista em parte alguma do mundo, como a concentração de petróleo em determinada área. Com ele, poderemos elevar nossas reservas, de 12 bilhões de barris de petróleo, para algo em torno de 50 bilhões de barris, podendo chegar a muito mais do que isso. O Brasil terá uma posição privilegiada no futuro. Isto dentro de muito pouco tempo. Estamos aguardando apenas a votação da Lei dos Royalties, que haverá de contemplar todos os estados do Brasil com esta distribuição correspondente ao petróleo do pré-sal. Isto tudo fará com que, a partir da exploração desta riqueza, o povo brasileiro tenha um avanço em suas condições essenciais de vida, pela riqueza que o Brasil terá, podendo avançar da posição que se encontra hoje da 6ª para a 4ª economia mundial dentro de muito pouco tempo.
O Estado - E o Maranhão, como estará inserido neste contexto?
Lobão - O Maranhão é um dos estados que mais avançam atualmente. Com a chegada da refinaria, que tem sua terraplanagem construída em cerca de 40% a 50%. O Maranhão tem grandes indústrias se instalando aqui, como a Suzano, grandes termelétricas, grandes hidrelétricas sendo construídas. Tem a de Estreito e outra será construída em Imperatriz. Nossa previsão é de implantar seis hidrelétricas no Rio Parnaíba, no Maranhão e Piauí. Enfim, o Maranhão está se transformando em um estado industrializado e de crescimento sustentado também. Tem uma agricultura já poderosa, grande produtor de soja, e assim por diante...
O Estado - E a refinaria, em que situação está a construção?
Lobão - Há algum atraso na terraplanagem, em razão das chuvas que ocorrem aqui todos os anos. Em razão das chuvas, não há como fazer a terraplanagem. No período de chuvas, é possível fazer a implantação de máquinas e outras obras, mas a terraplanagem não há como. Nesta etapa, temos que reduzir as atividades.
O Estado - Mas isto pode atrasar o cronograma para o início da operação da refinaria?
Lobão - Pode atrasar um pouco, algo como seis meses a um ano, não mais do que isso. Mas até isso já estava previsto também no cronograma de obras.
O Estado - O senhor é hoje uma das referências do governo da presidente Dilma Rousseff. Mas já começam a surgir especulações de que pode sair e voltar ao Senado, para ser presidente...
Lobão - Não posso deixar de dizer que recebo esta possibilidade como destaque na minha vida pública. Ser presidente do Senado significa ser presidente do Congresso Nacional, ou seja, chefe de um Poder da República. Mas eu já fui, e exerci várias funções de destaque no Senado Federal. Eu não desejo sair do ministério agora. Entendo que, para o bem do Maranhão até, seria bom que eu permanecesse no ministério por mais tempo. De toda forma, a sucessão do atual presidente do Senado, José Sarney, não ocorrerá agora, e sim em fevereiro do ano que vem, daqui a um ano. Portanto, nós temos muito tempo ainda pra considerar esta possibilidade.
O Estado - O senhor tem acompanhado as articulações do seu grupo político para as eleições municipais?
Lobão - O PMDB tem uma aliança aqui, que inclui vários partidos, entre os quais o PT. E o PT faz parte da nossa aliança de tal modo que indicou o vice-governador. E o vice-governador deseja ser o candidato a prefeito de São Luís. É razoável que o PMDB esteja solidário com ele. As lideranças do PMDB entendem que esta é uma boa solução e estamos solidários com o vice-governador Washington nesta tentativa de chegar à Prefeitura de São Luís.
O Estado - É possível chegar a uma vitória já nestas eleições?
Lobão - É perfeitamente possível. As eleições só se definem no momento da votação, no momento das urnas. Washington tem condições de estabelecer uma campanha vigorosa e de chegar à Prefeitura de São Luís. Além disso, ele tem a solidariedade não só do PMDB, mas dos diversos outros partidos que compõem a aliança, hoje, com o Governo do Estado do Maranhão. Portanto, ele já partirá com uma posição muito sólida no que diz respeito a sua candidatura.
O Estado - Recentemente, o senhor esteve com a governadora Roseana Sarney no interior do estado, em inaugurações de obras e conversas políticas. Como o senhor sentiu a relação do seu grupo com as lideranças do interior?
Lobão - Eu participei com a governadora da inauguração de diversos hospitais da rede estadual e também da rede federal, como as UPAs, financiadas pelo Governo Federal e também pelo estado. A governadora demonstrou força política e popularidade em todos estes municípios cujas inaugurações ela liderou, com a minha participação e de vários secretários. Mas isso não me surpreende. Eu tenho andado com a governadora por diversas regiões do estado e sempre percebo a força política que ela demonstra, à medida que lidera, por ser governadora, um grupo de partidos políticos que competem em diversos municípios. O nosso grupo, que foi forte no passado, é forte hoje e chegará fortalecido às eleições de 2014, em plenas condições de vencer.
O Estado - Falando das eleições de 2014, o senhor acha que é o momento de já começar as discussões?
Lobão - Quanto a nomes, eu acho que ainda é muito cedo. Não é o momento de se falar em eleição de governador, descendo a detalhes, porque ainda temos três anos da administração da atual governadora. Isto é uma questão que se vai decidir no começo de 2014. Antes disso, significaria laborar contra o atual governo e atrapalhar a sua administração, que é uma coisa que não devemos fazer.
O Estado - Mas o senhor vai participar efetivamente destas discussões, da formação da chapa...
Lobão - Eu sou um dos líderes políticos do estado do Maranhão, e não posso ficar ausente de uma discussão desta envergadura, como a da escolha de um candidato a governador. Mas não tenho nenhuma posição hoje, como também não tem a governadora e ninguém tem, quanto a nomes que virão a surgir daqui até lá.

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