Dependência de redes sociais - Por: Ruy Palhano*
Por: Ruy Palhano**Psiquiatra
*Neuropsiquiatra
E-mail: ruy.palhano@terra.com.br
Este é o terceiro artigo que publico tratando das distorções verificadas na utilização dos recursos fabulosos da internet. Nos dois últimos destaquei os benefícios indiscutíveis que a era digital trouxe ao homem moderno, proporcionando-lhe meios para uma vida melhor e mais saudável, crescimento tecnológico e avanços em muitas outras áreas das relações sociais. Em ambos os artigos, todavia, destaquei os riscos e os problemas que o abuso desses recursos poderia provocar na saúde mental, como comportamentos obsessivos, compulsivos, síndromes ansiosas e as dependências de internet. Todas essas situações são ocasionadas pelo apego doentio das pessoas a essas ferramentas.
São cada vez maiores o interesse e os estudos desenvolvidos em todo mundo sobre esse tema, muito embora se saiba que os transtornos pesquisados e estudados ainda não foram catalogados como enfermidade pela Organização Mundial da Saúde - OMS, porém, acredita-se que até o próximo ano muitas dessas condições já serão classificadas como doenças.
Entre as condições que vêm sendo estudadas largamente tem-se os “dependentes de redes sociais”. Há diferentes formas de definir o que são redes sociais, pois elas são organizadas de diferentes maneiras e interesses, todavia trata-se de uma estrutura social composta por pessoas ou organizações conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. Uma das características mais importantes das redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes.
O conceito de rede surgiu na Sociologia e Antropologia Social, no final do século XX, como um novo paradigma das ciências sociais, aplicada e desenvolvida em disciplinas como a antropologia, a biologia, os estudos de comunicação, a economia, a geografia, as ciências da informação, a psicologia social e, sobretudo, no serviço social.
No universo virtual, as redes sociais operam em diferentes níveis: de relacionamentos (facebook, orkut, myspace, twitter), redes profissionais (como Linkedin), redes comunitárias (redes sociais em bairros ou cidades) e muitas outras. Elas ganham, a cada dia, mais importância, especialmente quanto a possibilidade de compartilhamento de informações, conhecimentos, interesses e esforços em busca de objetivos comuns. E dada a facilidade de expansão, o prazer em manuseá-las, o alcance social das mesmas, sua operacionalidade, a eficiência nas comunicações, as redes se transformaram em oportunidade de gerar grandes negócios.
Todos esses benefícios fizeram com que inúmeras pessoas se seduzissem e se entregassem de corpo e alma, ao ponto de adoecerem e perderem a noção de adequação e racionalidade em suas diferentes formas de expressão: entretenimentos, jogos, lazer, profissionalismo, afetivo etc.
Sabe-se que muitos dos usuários que adoeceram já apresentavam distúrbios psicopatológicos anteriores à utilização das redes sociais e encontraram nas mesmas os melhores escapes para suas doenças. Há outros que adoeceram pelos excessos, abusos e descontroles na utilização da ferramenta. Para ambos os grupos o sintoma fundamental é a restrição da liberdade, isto é, as pessoas ficam literalmente presas a essas práticas, sacrificam todos os outros interesses e abandonam atividades vitais em troca da conexão permanente a uma rede virtual.
*PSIQUIATRA - Ruy Palhano Silva
- MÉDICO NEUROPSIQUIATRA
- PROFESSOR DE PSIQUIATRIA DO CURSO DE MEDICINA DA (UFMA)
- MESTRE EM CIÊNCIAS DA SAÚDE (UFMA) - ESPECIALISTA EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA PELA (UNIFESP)
- EX - PRESIDENTE DA ACADEMIA MARANHENSE DE MEDICINA.
Por: Ruy Palhano*
*Psiquiatra
E-mail: ruy.palhano@terra.com.br
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