sábado, 16 de abril de 2016

Mais um indígena Tenetehar/Guajajara é assassinado a tiros e a pauladas no Maranhão




"Genésio não era de nenhuma família rica da cidade, muitos menos tinha o terceiro grau. Desta forma, o crime está sendo tratado como um assassinato “normal”. No entanto, este foi mais um crime bárbaro que poderá ficar sem esclarecimento, assim como outros crimes violentos praticados no município contra indígenas"

Cimi Regional MA – Equipe Imperatriz

Na madrugada do dia 11 de abril, Genésio Guajajara, de 30 anos, residente na aldeia Formosa, Terra Indígena Araribóia, Município de Amarante do Maranhão (MA), região Sul do estado, foi assassinado com pauladas e um tiro no tórax. Genésio estava na cidade para receber cesta básica, que estava sendo distribuída pela Fundação Nacional do Índio (Funai), quando foi assassinado. Um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia de polícia do Município, mas até o momento não há informações quanto à autoria do crime e muito menos a motivação.

Genésio não era de nenhuma família rica da cidade, muitos menos tinha o terceiro grau. Desta forma, o crime está sendo tratado como um assassinato “normal”. No entanto, este foi mais um crime bárbaro que poderá ficar sem esclarecimento, assim como outros crimes violentos praticados no município contra indígenas.

Em janeiro de 2014, o indígena Mario Juruna Souza Guajajara, de 19 anos, da Aldeia Canudal, foi linchado em via pública, ferido a pauladas e ainda teve o corpo parcialmente queimado por ser ele o suspeito pelo abuso e assassinato de uma criança não indígena.

Em julho de 2014, o indígena Ambrósio Guajajara, de 23 anos, da aldeia Formosa, foi assassinado a pauladas no cemitério municipal da cidade quando visitava o túmulo de seus parentes.

Já em março de 2016, o indígena Aponuyre Guajajara, 16 anos, da aldeia Araribóia, foi assassinado com vários tiros por ser o suspeito de participar do assassinato de um não indígena, na cidade de Amarante. Todos os indígenas moravam na Terra Indígena Araribóia, localizada no Município de Amarante.

Os indígenas Guajajara afirmam que os assassinatos de indígenas parecem estar liberados, portanto a população não índia sente-se no direito de matar indígenas sem nenhum remorso e com crueldade, a exemplo de Aponuyre Guajajara, morto com vários tiros, e que os assassinos permanecem impunes, como se matar índios não fosse crime.

Além do quadro de insegurança que paira sobre o município, tanto para povos indígenas quanto para não indígenas, esses assassinatos levam a crer que a as motivações possam ser a disseminação do ódio contra indígenas ou mesmo a criação de um grupo de extermínio agindo na região.

Exigimos medidas urgentes para a investigação dos crimes e punição dos culpados por parte da Secretaria de Segurança do estado e a intervenção do Ministério Público e Secretaria de Direitos Humanos para que apresentem à sociedade que providências foram tomadas. Caso contrário, a vida de outros indígenas podem ser banalmente tiradas pelo simples fato de serem índios.


Foto: jornal Vias de Fato
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