quarta-feira, 13 de abril de 2016

Quem vai barrar o extermínio de jovens e adolescentes negros e pobres?



É cada vez maior o numero de adolescentes vitimas ou autores de atos violentos, estudo da Fundação Abrinq mostra que 19% dos homicídios no país são praticados contra os jovens, 80% deles com armas de fogo. A propósito do crime bárbaro que vitimou o adolescente Manoel Messias da Silva, de 14 anos, e tem como um dos suspeitos um adolescente de 16 anos que já foi apreendido e teria confessado a a participação no crime,recomendamos a leitura do excelente editorial "Infância em risco no país" publicado em 12/04/2016, no Diario de Pernambuco. 

Um dos suspeitos de assassinar e esquartejar o adolescente Manoel Messias da Silva, de 14 anos, na noite da última segunda-feira (12), na cidade maranhense de Pedreiras, será apresentado nesta quinta-feira (14), às 15h na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão(SSP-MA). José Antônio de Sousa, o “Toinho”, de 20 anos, teria cometido o bárbaro assassinato com o auxílio de um adolescente de 16 anos, que já foi apreendido e confessou participação no ato criminoso.

O crime aconteceu na Rua Três do Parque Henrique, bairro de Diogo, em Pedreiras. - área pobre e carente localizada na periferia da cidade - O adolescente teria confessado em depoimento a motivação do crime, segundo a versão do jovem, a vitima e os dois suspeitos estariam no interior de uma casa, fazendo uso da substância , “solvente”, quando o maior de idade identificado como Toinho, entregou uma cédula de R$ 100,00 a vitima - Manoel Messias - pedindo que lhe comprasse um lanche, ainda segundo o suspeito, a vitima ao voltar com o lanche, teria dito que tinha perdido o troco, ato que teria irritado os suspeitos, que teriam decidido tirar a vida da vitima. 

O corpo do adolescente foi esquartejado e os membros  espalhados  pela região, as vísceras ficaram expostas,  coração, cabeça, membros superiores e inferiores foram localizados em locais diferentes.  

Editorial: Infância em risco no país  

As perspectivas para o segmento infanto-juvenil, que soma 61,4 milhões da população brasileira, entre menos de 1 e 19 anos, não são nada boas


Publicado em: 12/04/2016 

De 2014 pra cá, o país vem perdendo conquistas importantes, sobretudo no campo social. O movimento desencadeado pelas políticas públicas para a eliminação do trabalho infanto-juvenil entrou em rota de retrocesso. Em 2014, na comparação com o ano anterior, aumentou em 143 mil o número de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, que ingressaram precocemente nas atividades laborais.

Mais de 60% dos 3,3 milhões de crianças e adolescentes ocupados estão nas regiões Nordeste (1.097.840) e Sudeste (1.021.943), segundo a publicação Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2016, da Fundação Abrinq, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013 e 2014). A inversão negativa dos indicadores — crescimento em 4,5% do trabalho infantil em 2014 — ocorre depois de uma década de redução.

Diante desse quadro, o Brasil não conseguirá cumprir o compromisso de erradicar as piores formas de trabalho infantil neste ano e todas as demais até 2020. A infância será perdida em atividades ocultas e ilícitas, como as domésticas, a agricultura e a exploração sexual. As perspectivas para o segmento infanto-juvenil, que soma 61,4 milhões da população brasileira, entre menos de 1 e 19 anos, não são nada boas. Desse universo 44% estão em situação de pobreza — fator que os empurram para o trabalho precoce. As chances de recuperação desses jovens também são muito pequenas, pois ocupação compromete o desempenho escolar e as possibilidades de ascender social e economicamente.

O cenário é mais dramático ante o crescimento da violência no país. O estudo da Fundação Abrinq mostra que 19% dos homicídios no país são praticados contra os jovens, 80% deles com armas de fogo. Os danos das crises política e econômica têm repercursão profunda no futuro de uma geração. O estrago torna o Brasil menor pela incapacidade de proteger e garantir vida digna às crianças e aos adolescentes. Os dados impõem ao poder público a revisão das políticas sociais, a fim de que o lema Brasil, Pátria Educadora não seja mais dos muitos compromissos que se tornaram prisioneiros dos discursos, sem qualquer rebate na realidade dos menos favorecidos.
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