sábado, 23 de dezembro de 2017

O Caminho das Mídias






Por: *Carlito Amaral 

Fim de ano, remete idealizar projetos para o futuro, prestação de contas do que fizemos, lembranças da infância, saudade de amigos e familiares, e claro, as mudanças que, pelo menos, nos últimos anos, transformaram hábitos e mexeram com o planeta. 

O cantanhedense de Cachinhos, o revolucionário jornalista, ativista, professor e nativista, José Cândido Morais e Silva (o Farol), usava o jornal como um instrumento de protesto e talvez, diante da prensa, tenha imaginado que a informação tomaria novos trilhos. 

O Imperador Pedro II, o mais intelectual dos governantes do Brasil e o que mais tempo passou comandando a nossa nação, trouxe aos olhares dos guaranis a máquina fotográfica e do teto de sua sabedoria, talvez tenha imaginado o que aquela caixa poderia trazer de novo. 

Quando, no Rio de Janeiro, anunciou-se que o rádio passaria a transmitir os jogos ao vivo, houve uma resistência, pois para muitas, a narração pelo rádio tiraria os torcedores do estádio das Laranjeiras e assim, o Fla-Flu ficaria sem a presença do pó de arroz e das mulheres, que esbanjavam charme no calor carioca e faziam repetidamente o ato de torcer seus lenços, daí a expressão torcedoras. Hoje, dominado pelo machismo da língua portuguesa e as cenas tristes de violência, a expressão ganhou novos rumos.

Lembro que quando menino, ficava impressionado com o chiado e o áudio abafado do rádio da Telma, que ficava em uma sala apensa ao prédio da prefeitura, onde o operador Walter Braz de Sousa fazia a comunicação com a capital São Luís. 

Outra forma mais urgente de comunicação era o telefone de parede da estação da REFESA, e aí, o agente João Baima aos berros chamava por Pirapemas, Balaida, Pau-de-Estopa, Codó, Caxias, Itapecuru-Mirim, Rosário, São Luís e tantas outras estações. 

A noite da minha terra, nos anos da década de 1960, parecia ter mais estrelas e o mestre Crispim Cidreira, em um tom de suspense, chamava os moradores para olharem para o céu e apreciar a passagem de um satélite.

A carta, a mais sigilosa e íntima forma de trocar mensagens fazia da agência dos Correios um ponto vivo na cidade. Eu cresci em uma oficina de rádios e achava extraordinário o fato de uma estação de rádio da África, da Europa ou dos Estados Unidos ser sintonizada em Cantanhede.

Porém de todas as histórias que eu teria para contar, uma em particular lembro toda as vezes que dedico o meu tempo para um projeto de comunicação que martelo por mais 10 anos, a história que meu pai, um rádio-técnico de formação sempre fala quando o assunto é O CAMINHO DOS MÍDIAS. 

Na copa do mundo de 1966, meu pai, Cidinho Amaral ao lado do oficial de justiça do município, Antonio Alves Martins (o Rangel), entre o conserto de um rádio e outro, o bate-papo e os ouvidos na narração do jogo do Brasil dizia: "Rangel! Na próxima copa do mundo, nos estaremos assistindo aos jogos do Brasil pela televisão. O amigo Rangel, de cima de um velho tamborete e sentado em sua descrença murmurava entre uma dose e outra de conhaque: "aonde?".

Meu pai, na sala de sua oficina Transpower, insistia em trazer a novidade previsível, mas o descrédito do Rangel soava maior: "aonde?". E quando o assunto foi, em 1969, sobre a chegada do homem à lua, a teimosia varava a noite. 

Em 1970, papai, Rangel e outros amigos assistiram ao vivo ao jogo da final da copa do mundo entre Brasil e Itália, mas tiveram que colocar a rural na estrada e partir para Teresina/PI e lá conferirem a arte de Pelé e companhia e o avanço tecnológico. 

Hoje, em 2017, o oficial de justiça, Rangel não está mais entre nós para conferir algumas das tecnologias que tomaram conta do mundo, como o celular e as mídias que dele podemos desfrutar, entre elas o tal YouTube, que entre outras coisas possibilita assistir ao vivo aos vídeos da NASA diretamente da estação espacial e viagens de trem pelos campos nevados da Noruega. 

E para que ninguém fique a teimar com ninguém, seguem os links dessas novidades.







*CARLITO AMARAL é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Estudou o ensino fundamental em Cantanhede, no Centro de Ensino Getúlio Vargas e estudou o ensino médio no Colégio Dom Bosco de São Luís. Foi sargento do Exército Brasileiro e como comunicador exerceu as funções de editor, repórter e apresentador no Sistema Mirante de Comunicação. Em órgãos públicos foi assessor de gabinete da secretaria de Estado de Governo, coordenador de patrimônio da secretaria de Estado da Solidariedade e secretário de Cultura de Cantanhede.   
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