quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O jornalista não é seu inimigo




Por: Vitor Vogas




O jornalista tem lado, sim: o do cidadão e o do interesse público. Mesmo que parte do público prefira condenar o seu trabalho.

Dois mil e dezessete foi um ano extremamente difícil para ser jornalista no Brasil. Em alguns aspectos, o ano eleitoral de 2018 promete ser ainda mais difícil. É curioso, mas ser jornalista talvez nunca tenha sido tão bom e instigante e, ao mesmo tempo, tão duro e desafiador. Paraísos e infernos foram descortinados em simultâneo para o jornalismo profissional a partir do advento das redes sociais e das novas plataformas de comunicação online pelas quais a troca de informações interpessoais e a disseminação de conteúdos se dão em tempo real.

Nunca antes as possibilidades de criar, ousar e inovar na produção e difusão de conteúdo jornalístico foram tão amplas. Ao mesmo tempo, essa nova estrada em rede com infinitas ramificações se apresenta como um campo minado e cheio de armadilhas, impondo aos veículos de imprensa o desafio de tornarem o seu conteúdo cada vez mais relevante, atraente e confiável, a fim de seguirem se destacando em meio ao mar de desinformação que circula a todo instante na palma da mão das pessoas.

Mais do que nunca, o jornalismo com J precisa fazer valer e ampliar a sua credibilidade como diferencial. Além do imperativo de sempre, o compromisso categórico com a verdade, emerge uma nova responsabilidade: a de investigar e expor o teor inverídico de notícias falsas espalhadas pelas redes, compartilhadas distraidamente por cidadãos incautos ou crédulos demais, ou deliberadamente por gente movida por interesses pessoais estranhos ao interesse público.

O desafio multiplica-se nestes tempos de polarização político-ideológica, em que grupos de cidadãos, impulsionados por paixões políticas, só querem ler, consumir e compartilhar aquilo que confirma suas crenças e posições pessoais, ao passo que repudiam e desmerecem tudo aquilo que coloca tais convicções em debate. Se a notícia vai ao encontro da visão do indivíduo, o conteúdo é prontamente aceito, referendado, aplaudido. Mas, se contém alguma crítica ou informação negativa ao personagem ou partido político apoiado por tal indivíduo, aí a notícia é automaticamente desqualificada e tachada como “fake news”. Não importa se o conteúdo é verídico, fiel aos fatos, publicado após um trabalho correto de apuração, checagem e rechecagem, com dados consistentes e fontes confiáveis – aliás, como deve ser.

Na arena virtual, o que se tem percebido é que parte significativa do público não compreende o papel e o trabalho do jornalista e não está acostumada a consumir informação de caráter jornalístico (em outras palavras, nunca cultivou nem desenvolveu o hábito de ler jornal). É uma lacuna na nossa formação. Dessa ausência de “educação para o consumo de notícias” resulta notável dificuldade em separar o joio do trigo, discernir o que é informação séria e confiável do que é simplesmente invenção, não raro produzida e espalhada por má-fé, para ludibriar o público.

O jornalista de verdade não trabalha para ludibriar nem confundir ninguém, mas para esclarecer os fatos, com informações objetivas, nas matérias e reportagens aprofundadas. E, nos espaços destinados a isto (colunas, artigos e editoriais), tem o dever de ir além dos fatos, oferecendo ao público análise e opinião embasadas – mesmo que estas, eventualmente, contrariem aquelas do leitor.

O que fazer diante deste quadro, em que o jornalista, no estrito cumprimento do seu dever, virou alvo preferencial e se encontra sob intenso ataque de todos os grupos e lados? Esmorecer? Jamais. A resposta é perseverar. Repita-se: nunca antes o trabalho do jornalista foi tão importante como o será em 2018. O jornalista não é inimigo do povo. É, antes, seu aliado. Seu lado é o do cidadão e o do interesse público. Mesmo que parte do público prefira condenar o seu trabalho.

Bode expiatório

Na polarização que tomou conta do país, grupos politicamente antagônicos se digladiam nas redes e, aparentemente, só conseguem concordar em um ponto: a culpa é da “mídia”. Em consequência, o trabalho da imprensa profissional é posto em xeque a toda hora por todos os lados e fica no meio do fogo cruzado entre eles.

O avesso do avesso

Muitas pessoas têm tomado “notícias” escandalosamente falsas como verossímeis, enquanto tratam notícias absolutamente verídicas como “fake news”. Numa inversão de critérios, parte do público vê completos absurdos naquilo que é perfeitamente normal e correto, enquanto acha completamente normal e correto aquilo que é um perfeito absurdo.

Predisposição 

Alguns se mostram dispostos a engolir qualquer "notícia" falsa desde que ela sirva a sua causa - "notícias" que quaisquer olhos minimamente treinados percebem na hora como invenção bizarra, apócrifas, sem citação de fontes, sem nenhuma marca ou assinatura que lhe empreste credibilidade.

Compromisso

O que deve fazer um jornalista político no estrito cumprimento do dever? Manter o senso crítico aguçado com relação a tudo e a todos; desconfiar sempre e identificar as falhas, incoerências e inconsistências nos discursos e nas ações de todas as autoridades; não fazer concessões a ninguém, nem abrir mão da independência em nome de nada; jamais colocar a consciência à venda nem a serviço de ninguém nem de causa alguma; não perder jamais de vista o compromisso maior com o leitor e com o interesse público.

Maus profissionais

Óbvio que há jornalistas que usam mal e de maneira irresponsável o seu “poder”, desrespeitando a confiança que o público deposita neles e violando o compromisso com a busca da verdade – por exemplo, distorcendo informações por má-fé. Esses são os profissionais ruins e antiéticos, como existem em qualquer categoria.

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