quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O dogma do voto e a faca de dois gumes - Carlito Amaral



Prezado(a)s eleitore(a)s,

Estamos à três dias das eleições 2018, o mais disputado pleito da era das redes sociais, no Brasil, já que, o horário eleitoral perdeu espaço e poder de mobilização, os debates ficaram sem sal e congelados por regras, colegagem ou falta de alguns dos candidatos. 

Este ano, o candidato da zona do rebaixamento, o Cabo Daciolo, um carma evangelista do Enéas tenta quebrar o gelo e retira gargalhadas do público, as pesquisas, muito embora, sejam quase que diárias, perderam a fórmula da credibilidade e virou carro-chefe da audiência televisiva. 

Hoje, cada lado que atira-se na disputa, tem no mínimo uma legião de seguidores das hashtags do dia-a-dia ou dos canais e das publicações espalhados pelas plataformas, WhatsApp, Instagram, Twitter, Facebook e YouTube, entre outras, mas infelizmente contaminadas com a lama podre das tais Fake News, que reproduzem na velocidade da luz uma série de idiotices.

 Mas, qual foi o motivo de nessas eleições, a empolgação pela disputa nacional ser bem maior que pelos confrontos estaduais? 

Seria o poder global sobre nossas aldeias?

 Ou seria a velocidade da informação universal sobre a zonal? 

O brasileiro, que sempre foi rotulado de gostar de carnaval, novela e futebol, para os mais críticos de plantão da dialética social, processos que foram construídos ao longo tempo para massificar o povo; hoje, conhece mais a escalação do STF que a do professor Tite e pelo menos, nos 60 dias, que antecedem o dia das eleições, passou a debater as escolhas que estão na vitrine presidenciável. 

Mas quando o assunto é manobra das massas, Leonardo da Vinci, Velásquez ou Shakespeare também não serviram seus mecenas?

Comparado às democracias mais consolidadas do mundo somos nanicos, pois ainda olhamos bem de perto, pelo retrovisor da história, a monarquia absolutista da casa de Bragança, a ditadura Vargas e a ditadura militar, que reproduzem seus fantasmas até hoje. 

Alguém pode falar em novo, moderno, ideia, salvador da pátria e até mesmo mito, mas as duas candidaturas mais badaladas, como diria o técnico da seleção brasileira de 1978, Cláudio Coutinho: "eles não são reservas e sim substitutos imediatos", ou como diria o velho locutor de estádio Nhozinho Santos: "a SEDEL informa: substituição no time da esquerda, sai Lula advertido com cartão amarelo e entra Haddad; e no time da direita, saíram contundidos Collor, FHC, Serra, Aécio e entra Bolsonaro", mas e o Alckmin? Logo, o mais alarmante dos torcedores gritaria da arquibancada: "pode deixar em campo, pois ele é um grande perna de pau"! 

O Brasil usou a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas e dividiu-se mais uma vez em esquerda e direta, porém, este ano, com um componente diferente, o fator religioso. 

Aí meu amigo, remeto-me aos bancos da faculdade de comunicação, na cadeira de Estética e Cultura de Massa, onde o mestre Francisco Gonçalves colocava ponto final em uma acalorada discussão: "DOGMA não se discute!". 

No próximo sábado, faz um mês da facada sofrida pelo candidato de extrema direita, Jair MESSIAS Bolsonaro. 

Na verdade a faca usada por Adélio BISPO de Oliveira, uma espécie rara de Mehmet Ali Agca ou Mark Chapman à brasileira era uma FACA DE DOIS GUMES, o guizo maior serviu para calar a metralhadora oral do candidato do PSL e tirar o capita dos confrontos diários com a imprensa, as provocações de rua e até mesmo os debates televisivos, como é o caso desta quinta-feira (3), na Globo, pois a rejeição ao candidato Bolsonaro é um apêndice de sua própria boca.

Eu nasci no meio político e lembro que na minha cidade, para garantir o sigilo do voto, fazia-se uma cabina de madeira e tecido morim branco, para deixar o eleitor solitário e isolado das tentações da compra do voto. 

Na evolução dos 40 anos depois, o maior questionamento tem sido o que o eleitor faz ou deixa de fazer entre quatro paredes, ou seja, o comportamento sexual deita-se com todos e os problemas como segurança, drogas, previdência, saúde, educação, produção agrícola, controle da inflação, combate à corrupção, a situação de falência dos estados e municípios não penetrarem no debate popular. 

A grande mídia, empregada do capital estrangeiro, nesta semana, passou a pregar a vitória do candidato Bolsonaro logo no primeiro turno e passou a atirar na cara do telespectador menos esclarecido uma enxurrada de pesquisa para vê se o efeito colaria, contudo, até o momento, a tática não deu certo.

Ao lembrar o imortal e satírico líder político, Líster Segundo da Silveira Caldas, autor ou pregador da frase: "a política só não faz homem parir, mas faz o boi voar", sabia ele também, que as eleições dividem as camadas da sociedade, e hoje, a maioria que veste a camisa de Bolsonaro é a mesma que não depende das ações de governo, não enfrenta a fila do SUS, não se preocupa com a qualidade do ensino público e suas forma de ingresso, não frequenta o terminal da integração, não sofre com a falta do abastecimento de água, defende a volta do regime militar, desfila em seus carrões, desfruta de uma gorda aposentadoria, dos lucros de suas empresas, suas aplicações ou se curvam diante de outros líderes, sem olhar que neste país, existe alguém a cada metro quadrado, necessitando da assistência do governo, na falta da casa própria, do emprego de pelo menos um salário mínimo, do gás, da energia ou de um prato de comida.

Todavia, por que depois de defender a tortura, demonstrar escárnio às mulheres, negros, índios e homossexuais, usar o filho para dizer que irá acabar com a Lei Rouanet, para favorecer a indústria cultural americana, ter votado contra o bolsa família, criticar as cotas sociais, defender o programa "arma para todos" na mais clara demonstração de atender os norte-americanos abrindo fogo amigo para a indústria armamentista, a maior financiadora das eleições nos Estados Unidos, e ainda, por tabela, o seu guro econômico ter defendido a volta da famigerada CPMF e o seu vice, um Mourão que defende o fim do décimo terceiro salário e uma nova constituição sem a participação popular, e, ainda, o próprio Jair MESSIAS Bolsonaro de ter dito a mais ignorante frase que um político pode ter falado:"através do voto você não vai mudar nada nesse país", o tal fenômeno mito lidera as pesquisa? 

Ora! a resposta é simples: o DOGMA saiu do encontro dominical e veio para VOTO. Na contagem regressiva, para exercer o direito mais sagrado das civilizações, o meu voto é para que o Brasil não se transforme em um Irã e que a nossa democracia, mesmo nanica, possa crescer e ensinar aos ateus de cidadania, que o voto é tão somente a melhor arma neste domingo.

Luiz Carlos Amaral 

Cantanhede-MA
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