segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Em Arari, bloco carnavalesco inspirado nas memórias do Grilo sairá na madrugada de terça-feira, puxado pela Jardineira




A ideia é antiga, porém nunca se materializou. Mas, este ano os apreciadores dos verdadeiros carnavais de rua decidiram colocar em prática o inusitado projeto que consiste sair na madrugada de terça-feira, em homenagem ao antológico Grilo, zona do meretrício mais importante de Arari, nas décadas de 60 e 70. 


A intenção é reviver uma tradição dos antigos carnavais quando no último dia da falia, após o baile no Arari Clube, os brincantes mais resistentes improvisavam um cortejo animado por alguns músicos da banda do Seu Bina que gentilmente saiam às ruas na madrugada de terça-feira, fechando a temporada momesca.

Grilo: a gênese

Apenas quem vivenciou as histórias, aventuras, os sabores e dissabores que o Grilo proporcionava são capazes de perceber a importância da irreverente homenagem que recorda episódios de um passado não muito distante.
 

Tudo começou no Bar Cabeça de Grilo, de propriedade do Sr. Osmar, o maior, mais frequentado e mais prestigiado. Com o passar do tempo outros estabelecimentos semelhantes foram se instalando nas imediações. Não demorou para a parte da rua que abrigava os estabelecimentos ganhar o nome Grilo.

Por falta de melhores opções de lazer na cidade, frequentar o Grilo era praticamente inevitável pois era o local onde se concentravam os bares que abrigavam as “meninas”, a maioria vinda de outras cidades, de outros Estados brasileiros, que topavam fazer sexo em troca de grana, ato que contradiz o lema “amor com amor se paga”. 

No bom português: o Grilo era o paraíso da prostituição. Se por um lado frequentar esse prazeroso local fosse aceito pela sociedade conservadora da época com relativa benevolência, também é válido ressaltar que em razão dos valores familiares e dos preceitos religiosos predominantes à época, também havia considerável dose de preconceito. Mas, isso não inibia os aventureiros que costumavam se esbaldar em extravagantes noitadas que eventualmente davam lugar a tragédias motivadas por disputas pelas quengas mais exuberantes do pedaço.

Waldick Soriano conheceu, gostou e voltou

Nas três vezes em que esteve em Arari, para apresentações ao público da cidade, o famoso Eurípedes Waldick Soriano, ícone da música Braga amanheceu no Grilo. 

Importante ressaltar que a presença de Soriano no local, em três ocasiões, as tragédias (assassinatos), sabores e dissabores e outras peculiaridades constam na letra da marchinha que servirá de trilha sonora do batismo do Bloco Grilo da Madrugada.

Hoje, poucas décadas depois, nada faz lembrar o cenário que caracterizava a Rua do Grilo. A estreita, ligeiramente sinuosa e alagadiça Rua do Grilo, também conhecida como Estrada Velha, deu lugar a uma extensa avenida, densamente povoada que recebe o nome de Maria Ribeiro Prazeres, em homenagem à ex-prefeita de Arari, da extinta UDN que governou o município de 1960 a 1965.

“Até quarta-feira”

Com muita criatividade e boa dose de irreverência, saudosistas das boas festas de momo, entre os quais alguns ex-frequentadores do Grilo, irão fazer um revival do autêntico carnaval de rua ao som da Jardineira, com acompanhamento de uma afinada banda composta por músicos ararienses.


Parodiando a antiga marchinha intitulada “Até Quarta-Feira” (autor desconhecido) é possível afirmar que “este ano não vai ser igual aquele que passou”, afinal de acordo com o sambista Jair Rodrigues, “O Importante é ser fevereiro e ter carnaval pra gente sambar.” De preferência com chuva, suor e cerveja. Bem-vindo, Bloco Grilo da Madrugada.


OLHA O GRILO AÍ, GENTE!

Autor: Totó Vale

Música: de Sebastião Tarcísio (servidor da AGED, em Arari)

Seu Osmar me perdoe

Pois o Grilo, não era só seu

Com tanta quenga bonita

Aquele Grilo, também era meu


Até quem não gostava

No Grilo, também faturava

Pois era Coco, quem conduzia

Aqueles que se embriagavam


Manoel Abas, quem falou

E Waldick, após o seu show

Não perdeu tempo e no Grilo

Foi que o mesmo se realizou


Até morte, por lá ocorreu

Que pavor, que confusão

Foi por causa da Lourinha

Que tombaram, três corpos ao chão


O jantar de Salvador

Era uma animação

Pois quando a luz se apagava

É que se tinha a melhor visão


Diga com sinceridade

Você de fora ou da Cidade

É só no Grilo pensar

Que nos bate uma saudade


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