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Então, que os jogos comecem!



A chegada de um “novo normal” pós-pandemia não passou de ilusão, tudo continua como antes, talvez até pior. Solidariedade e empatia são palavras cada vez mais raras no vocabulário nativo, na verdade os mais de 110 mil mortos e sequelados pelo SARS-CoV-2 foram esquecidos e colocados de lado, em nome de uma paixão arrebatadora - eleições - que invade mentes e corações tupiniquins a cada dois anos. 

As disputas majoritárias e proporcionais no Brasil são uma espécie de arena romana, local onde os gladiadores se enfrentavam até a morte, cercados por uma plebe ávida por sangue que sempre aplaude o carrasco capaz de arrancar fora a cabeça do oponente.

No período eleitoral o clima de torcida organizada domina cada vez mais as massas, levando-as a apelar à emoção ao invés de usar o lado lógico, sensato e racional, tal atitude resulta não raramente na prática de ações e atos impensados e até irracionais que terminam por acarretar danos e prejuízos por vezes irreparáveis a autores e vítimas.

As facções políticas arrebanham torcidas organizadas, verdadeiras milícias partidárias. A missão das torcidas organizadas e fazer o markentig do seu grupo, conquistar aliados para a causa. Identificados por números e com jingles emotivos atingem em cheio o emocional das massas usando-as como massa de manobra.

Confrontos, embates, atritos, desentendimentos, provocações entre membros e integrantes das torcidas são fatos corriqueiros, considerados “normais” e aceitos no meio. Muito comum também os deboches, calúnias, infâmias, difamações, ataques a honra e a dignidade contra aqueles que estão na torcida rival.

Enquanto os gladiadores se enfrentam no centro do arena, nas arquibancadas do anfiteatro uma plebe cada vez mais irracional e ensandecida grita o nome, ops, o número do seu herói, cobrando sangue e a cabeça do opositor, afinal é preciso festejar e comemorar a vitória do bem contra o mal, não importa que armas foram usadas, o que vale é conquistar! Ainda não sabemos quem saiu com vida da arena, mas 2024 vem aí, e já temos outra luta marcada no coliseu. 

Panem et circenses!

Abimael Costa, 55, jornalista. Ítaca 22/08/2020

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