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ÀS TERÇAS-FEIRAS, JOSÉ REINALDO - Por Abdon Marinho


Por Abdon Marinho.

NOS ÚLTIMOS meses tenho cultivado um hábito. Às terças-feiras, geralmente antes de sair para trabalho, me ocupo da leitura da coluna do ex-governador José Reinaldo Tavares, no Jornal Pequeno.

Já na casa dos 80+, como dizem meus sobrinhos e uma senhorinha dos comerciais, o ex-governador continua a contribuir com diversos assuntos do interesse do Estado do Maranhão e para a sociedade brasileira, de uma forma geral.

A constante preocupação com os grandes projetos para o estado, como ferrovias, rodovias, a exploração comercial da Base de Alcântara e/ou mesmo um novo porto naquele município, são temas recorrentes das discursões e iniciativas que o ex-governador tem trazido para o debate local.

Como sempre fez – e por isso mesmo, por vezes incompreendido a ponto de sofrer as consequências –, consegue enxergar muito à frente do seu tempo.

Foi assim quando, no seu governo, iniciou – ou colocou em prática –, as obras do plano rodoviário estadual, começando pela parte mais difícil: as pontes, pontilhões e elevados.

Como os governos seguintes – mesmo os aliados –, não deram sequência as obras do plano rodoviário, aquele esforço e gasto, acabaram por serem explorados politicamente como um escândalo levando o ex-governador a responder na justiça.

Ora, se as pontes, elevados e passagens estavam prontas, caberia aos governos seguintes construir as rodovias passando por tais locais, como consta no plano rodoviário do estado.

Não fizeram. E a imagem das pontes e elevados sem seus complementos, ligando nada a coisa nenhuma, servindo de abrigo para animais, ou até, mesmo, para mesas de bilhar e bares, ganharam o mundo como símbolo de desvios de recursos públicos na visão dos leigos e dos maus intencionados.

Compreensível que o governo Jackson Lago não tenha dado continuidade ao plano rodoviário iniciado por José Reinaldo pois não teve tempo para isso é desde o primeiro dia teve que “matar um leão por dia” e, assim mesmo, perdeu o mandato com pouco mais de dois anos da posse.

Dos governos de Roseana Sarney não se poderia esperar que desse continuidade pois fazia parte da narrativa escandalizar a corrupção para justificar – e continuar justificando –, o golpe que afastou Jackson Lago do poder.

Difícil de compreender é o comportamento do atual governo – pelo qual José Reinaldo tanto fez –, já avançando para o sétimo ano de gestão e já, já sentindo o bafo do sucessor no cangote, nada fez para levar em frente o plano rodoviário iniciado pelo ex-governador, permitindo que aquelas caras obras de engenharia se eternizem como monumentos ao desperdício.

E, se nada fez para levar adiante o plano rodoviário estadual, é certo priorizou obras de cunho eleitoreiro e impacto imediato, bem como, as famosas “obras de morder”.
Abro um parêntese para explicar o significado de “obra de morder”.

Numa das minhas andanças pelo interior, reclamava com um morador pelo fato de determinada rodovia se encontrar sempre em manutenção e sempre em péssimas condições. Foi aí que ele me veio com essa:
— Ah, doutor, essa é uma “obra de morder”.

Diante do meu olhar espantado, com aquela simplicidade de homem do campo, explicou:

—Essa, e outras obras, são feitas para nunca terminar, pois todo governante, secretário, empresário, as mantém sempre em reparos para “morder” um pedaço da verba.

Não sei se é verdade, mas foi assim que me contaram.

Feita essa digressão, retorno.

Não faz muito tempo, um amigo me chamou atenção para a brutal falta de consideração do atual governo com o ex-governador, bem como, também, a falta de visão de Estado.

Dizia o amigo, sobre o assunto, que o governo estadual celebrara uma parceria com uma empresa para construção de uma rodovia entre dois municípios dos Lençóis Maranhenses e, ao invés de aproveitar a infraestrutura de pontes quase toda pronta ainda no governo José Reinaldo, preferiu ou aceitou que se fizessem a rodovia ignorando o plano rodoviário e nas bordas do Parque dos Lençóis.

Talvez por conta disso ou por “castigo” da parte de algum anjo que não tolera os ingratos, a rodovia nem bem fora inaugurada já apresentou infinitos defeitos, sem contar que os ventos mais dia, menos dia, vai soterrar a estrada.

Acredito que se tivessem feito a rodovia seguindo o plano rodoviário e aproveitando, pelo menos, parte da infraestrutura lá disposta, isso não estivesse acontecendo ou, se acontecesse, seria muito mais demorado.

Como fez todas as vezes que o atual governo, seus prepostos ou aduladores, o agrediu, de forma gratuita, sobre mais essa afronta, o ex-governador nada disse e continuou – e continua –, trabalhando e discutindo ideias pelo engrandecimento do Maranhão, inclusive em proveito destes governantes.

Arrisco dizer que com suas ideias e iniciativas, embora sem mandato, o ex-governador vem contribuindo muito mais com o Maranhão do que uma dúzia de deputados federais, que sequer sabemos o nome e que ocupam os dias enricando as custas dos cofres públicos.

Como vão pensar nos interesses do estado ou do país, se têm infinitas contas de recursos de emendas para fazerem? Se os interesses privados vêm antes do interesse público? Se precisam fazer fortunas para infinitas gerações enquanto são “novinhos”?

Já no outono da vida, o entusiasmo de José Reinaldo pelo progresso e desenvolvimento do Maranhão, estampado nas suas colunas semanais no Jornal Pequeno, é de quem vive o princípio da primavera.

Para demonstrar tanto frescor, acredito que ignore as infinitas rasteiras e traições, sobretudo, daqueles por quem mais fez.

Parece-me que a tudo isso trata com a clara certeza que de que tais mesquinharias, assim como os homens, passarão, ficarão como nódoas da história quando esta fizer a Justiça verdadeira, que até pode tardar, mas, certamente, não falhará.

Nos últimos dias, sem percebermos, acabamos por testemunhar tais registros históricos.

Não faz muito tempo, acho que no auge da pandemia, sem querer – e sem ser essa a intenção –, blogues locais acabaram por fazer um elogio indireto à vida pública do ex-governador José Reinaldo.

Noticiaram que ele, aquele homem que já foi quase tudo que quis na vida pública, secretário de obras, deputado federal, ministro de Estado, vice-governador e governador de estado, estava na fila em busca de crédito em uma dessas empresas financeiras facilitadoras de empréstimos, que pelos juros cobrados se aproximam do mercado financeiro informal.

Pois é, enquanto vemos, hoje, deputados ou ocupantes de outros cargos, ficarem ricos, por gerações, em um mandato, lá estava um ex-governador, ex-ministro, ex-secretário, ex-deputado federal, ex-quase tudo que quis ser, na fila como qualquer cidadão comum, como eu, você, ou seu João lá do Anjo da Guarda ou do Coroadinho, negociando um crédito para pagar as contas pessoais e, com a mesma elegância, discutindo projetos bilionários que impactarão, positivamente, a vida e o futuro do estado e do país por gerações.

Não que a honestidade seja mérito, pelo contrário, é dever. Entretanto, não é usual, diante do que assistimos na atualidade, vermos ex autoridades levando a vida como os comuns mortais.

Um outro registro foi um feito por um xerimbabo do atual governo.

Quando das formação das chapas para a disputa eleitoral deste ano na capital e alguém ter sugerido o nome do ex-governador, a despeito de nada ter a dizer que o desabonasse, disse que ele seria “velho”.

Foi o que restou para falarem mal de José Reinaldo: a inevitável condição temporal, que mais dia menos dia, alcançará a todos nós. Isso é, aos que tiverem tal sorte.

Abdon Marinho é advogado.

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