Em Nota ADEPOL/MA alerta: Ameaças contra delegados exigem posicionamento institucional firme do Estado


Em nota divulgada nesta quarta-feira (14), a Associação dos Delegados de Polícia Civil do Maranhão (Adepol-MA) cobra posicionamento firme do sistema de Segurança Pública em casos de ameaça contra delegados de polícia:

É preciso fazer um alerta sério, responsável e urgente a todo sistema de Segurança Pública: ameaças contra delegados de polícia não podem, em hipótese alguma, ser tratadas com descaso, relativização ou silêncio institucional.

A carreira de delegado é, por natureza, uma das mais expostas de todo o sistema de justiça criminal. No interior, essa realidade é ainda mais grave. Delegacias sem qualquer estrutura de segurança, ausência de vigilância armada, prédios precários, efetivo reduzido e isolamento funcional tornam os delegados extremamente vulneráveis. Muitos trabalham literalmente desprotegidos, dentro das próprias unidades policiais.

Ao longo dos anos, são inúmeros os relatos de colegas que sofreram ameaças diretas — verbais, escritas ou veladas — e que, mesmo após comunicarem seus superiores, não receberam absolutamente nenhuma providência concreta. Nenhuma visita institucional. Nenhum reforço temporário. Nenhuma estratégia mínima de proteção. Nenhuma demonstração de presença do Estado.

É evidente que, em um cenário ideal, magistrados, promotores e delegados não deveriam conviver com ameaças. Mas a vida real, especialmente na segurança pública brasileira, está muito distante desse ideal. Ameaças existem, são recorrentes e, muitas vezes, se concretizam.

Recentemente, uma Delegada com forte atuação contra o narcotráfico no Estado do Maranhão foi ameaçada.

A associação está adotando todas as providências que estão ao seu alcance — orientação para registro de ocorrência, instauração de procedimento criminal pelos crimes cabíveis e, se necessário, medidas cíveis. Mas isso não substitui o papel da gestão.

Nesses momentos, espera-se o mínimo:

▪️ contato imediato da Delegacia Geral ou da Superintendência com o delegado ameaçado;

▪️ escuta ativa e responsável;

▪️ definição conjunta de medidas de proteção;

▪️ envio temporário de equipe de reforço;

▪️ presença institucional na cidade, ainda que por curto período;

▪️ demonstração clara de que o Estado está atento, vigilante e presente.

Isso não é favor. É dever institucional.

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