Quando o jornalismo cumpre o seu dever: Jornal Pequeno defende liberdade de imprensa e repudia ataques à jornalista Regina Sousa
Jornal Pequeno defende liberdade de imprensa e repudia ataques à jornalista Regina Sousa
Texto publicado nesta quinta-feira (16) destaca o rigor técnico nas reportagens sobre o Hospital da Criança, em São Luís, e reforça o papel social do jornalismo profissional.
Na edição desta quinta-feira (16), o Jornal Pequeno publicou um editorial de grande repercussão no estado, intitulado “Quando o jornalismo cumpre o seu dever”. O texto faz uma defesa firme da liberdade de imprensa, do exercício ético da profissão e manifesta solidariedade à repórter Regina Sousa, da TV Mirante, que vem sofrendo ataques e tentativas de intimidação durante a cobertura de denúncias sobre o Hospital da Criança, em São Luís.
O posicionamento do veículo surge após a exibição de uma série de reportagens pela TV Mirante sobre a gestão da unidade de saúde infantil, que é administrada pela Prefeitura de São Luís. O editorial ressalta que o trabalho investigativo seguiu rigorosamente o método jornalístico, baseando-se em documentos oficiais, depoimentos de familiares, pareceres de órgãos competentes e na busca constante pelo contraditório e direito de resposta.
Reação a ataques e desqualificações
O texto critica as tentativas de desqualificar a cobertura jornalística por meio de acusações sem provas, como alegar "motivação eleitoral" ou "parcialidade" dos profissionais. De acordo com a publicação, quando o assunto envolve a saúde pública — especialmente o atendimento a crianças —, o interesse coletivo deve se sobrepor a qualquer disputa política.
"Se as alegações forem improcedentes, elas devem ser refutadas por meio de dados e documentos, de forma transparente", destaca um trecho do editorial, apontando que a negação vazia não substitui o esclarecimento que a sociedade exige.
Solidariedade e combate à misoginia
O Jornal Pequeno dedica parte central do texto para repudiar as agressões direcionadas à jornalista Regina Sousa. Com uma carreira consolidada pela ética e competência técnica, inclusive com reportagens veiculadas em rede nacional, a repórter tem sido alvo de campanhas de difamação com teor pessoal e misógino.
O editorial alerta que, embora as críticas à imprensa façam parte da democracia, os ataques pessoais e as tentativas de constrangimento visam silenciar o profissional e, consequentemente, ferir o direito da população de ser informada.
O documento conclui reforçando que o jornalismo não atua como juiz ou executor de penas, mas cumpre a missão indispensável de iluminar os fatos e fiscalizar o poder público, garantindo que as instituições atuem com transparência em nome da sociedade.
Quando o jornalismo cumpre o seu dever
O jornalismo existe para iluminar aquilo que o poder prefere manter nas sombras. É essa a sua missão histórica e constitucional: investigar, conferir, ouvir, confrontar versões e levar ao conhecimento da sociedade fatos de inequívoco interesse público. Foi exatamente esse compromisso que tem norteado reportagens exibidas pela TV Mirante sobre as denúncias envolvendo o Hospital da Criança, unidade administrada pela Prefeitura de São Luís.
Trata-se de um trabalho construído com o rigor que caracteriza o jornalismo profissional. Cada informação apresentada tem sido submetida aos procedimentos indispensáveis de apuração, baseada em documentos, manifestações de órgãos competentes, depoimentos de familiares e demais fontes, sempre acompanhada da busca pelas versões dos responsáveis e do direito de resposta. É assim que se faz jornalismo: com método, prudência, responsabilidade e respeito aos fatos.
Em casos dessa gravidade, é natural que existam divergências, questionamentos e contestações. O que não contribui para o esclarecimento da sociedade é a tentativa de desqualificar o trabalho jornalístico apenas por contrariar interesses políticos ou administrativos. Alegar, sem demonstração concreta, que uma reportagem é mentirosa ou foi produzida por motivação eleitoral, que seus profissionais agiram de forma parcial ou que houve fabricação de provas não substitui o debate sobre os fatos apresentados nem responde às questões levantadas.
Quando denúncias dizem respeito à assistência prestada em um hospital público, sobretudo envolvendo crianças, o interesse coletivo se sobrepõe a qualquer conveniência política. Se as alegações forem improcedentes, elas devem ser refutadas por meio de dados e documentos, de forma transparente. Se forem confirmadas pelos órgãos competentes, caberá a responsabilização de quem tiver contribuído para eventuais irregularidades ou crimes. Em qualquer dos cenários, a sociedade só tem a ganhar quando a verdade é buscada com seriedade.
Merece reconhecimento, igualmente, a atuação da jornalista Regina Sousa. Ao longo de sua carreira, consolidou uma trajetória marcada pela competência técnica, pela ética profissional e pela credibilidade, participando de reportagens de repercussão nacional como repórter de rede da TV Mirante. Esse patrimônio profissional não pode ser colocado sob ataque por meio de campanhas de intimidação, especialmente quando elas descambam para agressões pessoais, preconceituosas ou misóginas.
Numa sociedade democrática, críticas ao trabalho da imprensa são legítimas e fazem parte do debate público. O que não se pode admitir é que profissionais sejam alvo de ataques destinados a constrangê-los ou silenciá-los em razão do exercício de sua função. Quando isso acontece, não está em jogo apenas a reputação de um jornalista, mas um princípio essencial: o direito da sociedade de ser informada.
É justamente nesses momentos que entidades representativas do jornalismo, associações e sindicatos têm papel relevante na defesa da liberdade de imprensa, da integridade dos profissionais e do direito de investigar assuntos de interesse público sem intimidação.
Mais do que uma disputa de narrativas, o que está em discussão é a capacidade das instituições de responder, com transparência e responsabilidade, a questionamentos que dizem respeito à vida, à saúde e à confiança da população nos serviços públicos. O jornalismo não substitui a Justiça nem os órgãos de controle. Sua missão é outra: revelar fatos relevantes, provocar o escrutínio público e permitir que a sociedade acompanhe, de forma consciente, aquilo que é feito em seu nome.
Uma imprensa livre, responsável e criteriosa continua sendo um dos pilares indispensáveis da democracia. Sempre que jornalistas cumprirem esse papel com ética, rigor e compromisso com a verdade factual, estarão prestando um serviço que transcende interesses políticos e pertence, acima de tudo, ao interesse público.

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Jornalista Abimael Costa