O menino que nasceu na chuva
Corria o ano de 1965, o mundo vivia sob a tensão da Guerra Fria, o Brasil ainda aprendia a respirar sob o peso recente da ditadura instalada em 31 de março de 1964. Newton Bello governava o Maranhão, o marechal Castelo Branco ocupava a Presidência da República. Enquanto isso, os discos giravam nas vitrolas do planeta: The Beatles reinventavam a juventude, Elis Regina cantava com a alma, Roberto Carlos embalava corações, Gilberto Gil surgia como promessa, Jerry Adriani e os Demônios da Garoa já eram sucesso. O mundo fervilhava. Mas o mundo também era pequeno e , naquele primeiro de fevereiro de 1965, ele cabia inteiro no povoado de Livramento. Livramento era silêncio. chão de barro, rua vazia, noite fechada. Naquela segunda-feira chuvosa, o povoado dormia cedo, embalado pelo som insistente da chuva e pelos trovões que rasgavam o céu como avisos antigos. O vento passava forte, como quem sabe segredos. Na segunda casa da hoje chamada Rua da Bomba, uma casa humilde, pequena, coberta d...